Casal
Sequeira:
Vinte anos de dedicação à “Voz de
Leça”

A
Voz de Leça comemora este mês 53 anos de existência.
Embora sendo um Jornal Paroquial, é de realçar
o empenho que ao longo dos anos, as dezenas de redactores e
colaboradores têm emprestado ao “nosso” Jornal.
Projecto iniciado pelo saudoso Rev. Padre Alcino e que teve
continuidade com o Rev. Padre Lemos, mas que nos últimos
vinte anos se tem realçado pela dedicação
dos seus editores e principais redactores do Jornal. Estou obviamente
a falar do Dr. Jorge Sequeira e da Dra. Marina Sequeira que
assumiram a responsabilidade de liderar o Jornal até
aos dias de hoje. É importante nesta altura em que se
comemora mais este aniversário, salientar essa dedicação
de tão ilustres Paroquianos, pelas palavras da actual
Editora e principal redactora do Jornal, Dra. Marina Sequeira.
É sobre o passado, o presente, mas sobretudo o futuro
de um Jornal, mas também de uma Paróquia, de uma
Comunidade que precisa cada vez mais de alguém que fale,
que opine, mas sobretudo que intervenha nas defesa dos verdadeiros
valores cristãos.
1
– Como surgiu o convite para liderar a Voz de Leça?
Surgiu
quase como uma “contra-proposta” a uma pergunta
que eu e o Jorge fizemos ao Padre Lemos, em Agosto de 1985,
cerca de um mês depois de termos casado, sobre quando
sairia A Voz de Leça. O jornal passava por um período
menos bom em que, por falta de colaboradores, não era
publicado, e nós queríamos saber quando é
que a referência ao nosso casamento sairia no Movimento
Demográfico. Fomos repetindo a pergunta ao longo dos
meses seguintes, até que em Janeiro de 1986, o Sr. Abade,
que já devia estar “cheio” de nos ouvir,
fez-nos a tal “contra-proposta”: nós os dois
fazíamos o jornal e assim já cumpríamos
o tal desejo. Não contávamos com aquele desafio,
mas ficamos de pensar nele e rapidamente o aceitamos.
2
– Como encontraram o Jornal na altura? Quais foram as
maiores dificuldades?
Não
é fácil responder a esta pergunta, porque, não
tendo experiência alguma na área, tudo foi novidade
e não fizemos qualquer avaliação da situação.
Lembro-me que, na altura, quisemos ter uma panorâmica
do que fora A Voz de Leça até ali e andamos algum
tempo a fazer “browsing” * por um arquivo imenso.
Disso resultou o termos noção de que “pegarmos”
no jornal, ainda por cima sozinhos, implicava a responsabilidade
de honrar os objectivos que presidiram à sua fundação,
33 anos antes, pelo Padre Alcino Vieira. Acho que foi esta a
nossa principal dificuldade, acho até que continua a
ser, apesar de terem passado 20 anos e de sermos, já
há alguns anos, uma equipa mais alargada. Claro que surgiram
outras dificuldades mais concretas, que tiveram a ver com o
facto de, por razões profissionais, termos de viver fora
de Leça: éramos os dois professores sem lugar
no Quadro de Nomeação Definitiva, ao contrário
do que agora acontece, e andávamos um pouco a “saltar”
de terra em terra, tendo sido eu colocada em Fafe e o Jorge
em Lousada, depois de dois anos em Vieira do Minho (Gerês)
e de um em Matosinhos. Só cá estávamos
aos fins-de-semana, já tínhamos um filhote e A
Voz de Leça era aquilo que conseguíamos fazer
os dois, mais as Palavras Cruzadas do Sr. José Soares
e uma colaboração temporária, muito interessante,
sobre temas da saúde, do então jovem médico
Leceiro, Dr. Andrade Ferreira.
3
– O que foi preciso mudar, quer na estrutura do jornal,
quer na sua composição gráfica?
Acho
que naquela altura não se nos colocou a questão.
O que efectivamente mudou foi que o jornal já não
saía há algum tempo e passou a sair. O que quero
dizer é que acho que naquela altura o que podíamos
fazer era tão pouco que sentíamos que apenas mantínhamos
o Jornal “vivo”, dado que não era no que
tínhamos disponível nos dois dias de cada fim-de-semana
que aqui passávamos que conseguíamos recolher,
por exemplo, notícias da paróquia ou outras de
interesse para a comunidade, que tornassem o Jornal apetecível.
Os artigos eram passados à mão, o que publicávamos
de Encíclicas e outros documentos da Igreja eram compostos
em montagens com fotocópias, fazíamos o “desenho”
da 1ª página também à mão,
incluíamos um roteiro com o que saía nas outras
páginas e, normalmente, ao domingo à noite, antes
do regresso a Fafe, deixávamos tudo num envelope na caixa
de correio da gráfica, no Porto. Durante alguns anos
A Voz de Leça foi pouco “voz” de Leça
da Palmeira, mas foi o que conseguimos que fosse, a mais de
70 km de distância. Repetimos apelos a outras colaborações,
que só foram respondidos anos depois. Houve momentos
de desânimo, mas o Padre Lemos nunca nos “deixou”
desistir. Nunca lhe chegamos a verbalizar esse desânimo,
mas as palavras de incentivo que espontaneamente nos oferecia
sempre “desarmaram” alguma falta de entusiasmo que
nos assaltou não raras vezes. Hoje, olhando para trás,
percebemos que foi sempre por ele que continuamos.
4 – O que mudou desde então?
As
mudanças aconteceram em dois aspectos importantes: por
um lado a equipa alargou-se de forma efectiva com o Alcino Glória,
o Sr. Filipe Pacheco, primeiro, depois o Sr. Padre João
Santos, o Sr. Luís Barra, que há algum tempo cessou
funções na Paróquia e por essa razão
deixou também o jornal, o Manuel Jorge Bento e o Manuel
José Carneiro; seguiu-se a nossa filha mais nova, Mariana,
esporadicamente o nosso filho mais velho, Jorge Nuno, o jovem
Paulo Nova e, mais recentemente, o nosso entrevistador “de
serviço”, o José Eduardo Sousa; por outro
lado, o envelope, que se deixava na Gráfica ao domingo
à noite, passou a conter apenas uma disquete, quando
surgiu o computador pessoal. Hoje, a disquete ainda “anda
por aí” com o Movimento Demográfico, cuja
recolha é feita pelo Paulo e, às vezes, quando
a Internet tem o tráfego muito congestionado, também
serve de “meio de transporte” até à
‘Perícia’, do Manel Zé, onde se faz
o tratamento gráfico e envio para a impressão.
As mudanças mais profundas passaram, pois, a ser visíveis
no próprio jornal: maior actualidade e variedade de assuntos
a par de um aspecto gráfico de muita qualidade. Trabalha-se
muito melhor agora. Há rubricas definidas, como a Nota
de Abertura, que, durante anos alternou com Editorial, a Mariana
criou o Cantinho da Música, o Sr. Padre João tem
a Reflexão, o Alcino faz a recolha e compilação
para A Igreja em Notícia, o Sr. José Soares mantém
o passatempo Palavras Cruzadas, o Sr. Filipe criou grandes Figuras
da Igreja, o Jorge vai escrevendo, muitas vezes quase de forma
anónima por razões administrativas, que se prendem
com as suas funções de presidente do Agrupamento
de Escolas, o mesmo acontecendo com o Alcino, também
por razões profissionais, o José Eduardo começou
a colaborar regularmente enquanto responsável pela A.P.J.,
e desde que integra a equipa redactorial tem sido responsável
pelas entrevistas, para além de tudo o que se relaciona
com a Equipa Vicarial de Jovens. Depois há o Manuel Jorge
Bento, que é o nosso jornalista “encartado”,
e que apesar de ter passado a integrar esta equipa ainda adolescente,
(foi meu aluno no 10º ano na Escola Secundária da
Boa Nova e, ao saber da sua vontade de ser jornalista, desafiei-o
para se começar a “treinar” n’A Voz
de Leça), e de se ter formado não deixa nunca
de dar um pouquinho do muito que sabe a este jornal, apesar
da agenda apertada que tem.
5 – Após estes 20 anos que balanço
faz do Jornal e da sua responsabilidade como principal editora
do Jornal?
A
Voz de Leça está hoje um jornal mais “vivo”
e mais presente. É, hoje, realmente Voz desta comunidade
cristã. Este caminho nunca foi fácil. Houve momentos
menos bons, especialmente quando éramos apenas eu, o
Jorge e o Sr. Soares. Mas hoje, olhando para trás, o
balanço é esmagadoramente positivo, sobretudo
quando conseguimos apreciar a evolução que teve.
Há uma coisa de que tenho a certeza: é de que,
quando éramos três apenas, fazíamos o melhor
que podíamos e hoje, que somos onze, esse continua a
ser o lema de todos nós.
6
– Na sua opinião, quais os aspectos a melhorar
(se acha que há alguma coisa a melhorar), quer na elaboração
do Jornal, quer na equipa que neste momento compõe o
corpo redactorial do Jornal?
Apesar
de em nada na vida nos devermos acomodar, apetece-me dizer que
a equipa redactorial está óptima, que estamos
já rotinados a trabalhar em conjunto, apesar dos hábitos
diferentes, como por exemplo, uns gostam de escrever os seus
trabalhos com muito tempo de antecedência e outros, como
é o meu caso, trabalham melhor em contra-relógio;
troca-se ideias e define-se o trabalho na reunião preparatória
de cada edição, faz-se reajustamentos por telefone,
por e-mail… enfim, acho que estamos uma verdadeira equipa.
Isto não quer dizer que não seja necessário
que mais gente esteja disponível e tenha vontade de colaborar
n’A Voz de Leça, entre o vasto número de
pessoas que trabalha na Paróquia, distribuído
por cerca de vinte e quatro Grupos. Pretendendo-se que A Voz
de Leça seja o elemento de comunicação
de toda a Paróquia era necessário que cada Grupo
Paroquial responsabilizasse um seu elemento para fazer chegar
a este Jornal os artigos sobre as actividades do seu Grupo.
É isto que nos falta.
7
– Neste momento de balanço de 20 anos de trabalho,
que mensagem gostaria de mandar a todos os assinantes e leitores
da Voz de Leça?
Nestes
últimos anos, em especial desde que vivemos e trabalhamos
cá (desde 1996), temos tido um “feedback”
muito positivo de muitos que lêem A Voz de Leça,
assinantes ou leitores ocasionais. Como já disse, a equipa
que faz o jornal actualmente dá o seu melhor, e vai continuar
a fazê-lo para honrar os princípios e objectivos
que presidiram à sua fundação, em 1953.
No entanto, para que este Jornal seja cada vez mais a Voz desta
terra é necessário que todos dêem um pouco
de si a esta publicação, quer de forma regular
quer de forma ocasional. Leça tem uma riqueza humana
enorme que pode contribuir para a melhoria do nosso Jornal Paroquial.
Ficamos à espera de novas colaborações,
em especial, dos vários Grupos Paroquiais.
Em
forma de conclusão, a redacção da Voz de
Leça e todos os seus colaboradores agradecem a disponibilidade
da Dra. Marina Sequeira e do Dr. Jorge Sequeira e felicitam-nos
por 20 anos de dedicação ao Jornal e à
Comunidade Paroquial de Leça da Palmeira.
José
Eduardo in “A Voz de Leça” – Março/06