José Henrique
(1938) |
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José Henrique nasceu há 61 anos, no dia 9 de Julho, em Leça da Palmeira. Casou em 1962 e tem dois filhos: o Fernando, de trinta e cinco anos, e o António, de vinte e oito. Fez a quarta classe na escola da praia e depois foi trabalhar para a Sapataria Atlas (na rua Brito Capelo) durante o dia, completando a sua formação estudando de noite e conseguindo ainda chegar ao 2° ano. Aos quinze anos, deixou a sapataria e foi trabalhar para a secretaria do Sindicato dos Estivadores, o que foi considerado como uma grande vitória porque, "na época, havia uma grande dificuldade em arranjar trabalho". E ainda hoje em dia há, porque, como diz o nosso entrevistado, "o homem inventa a máquina e a seguir, a máquina substitui o homem". |
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Da sua infância, recorda o tempo em que jogar ao pião era considerada uma brincadeira engraçada, mas que não substituía o jogo da bola, que o viria a entusiasmar e ser o seu futuro. Teve, como ele próprio diz, "uma infância engraçada, uma infância boa".
Profissionalmente, começou como funcionário na secretaria do Sindicato e nunca lhe passaria pela cabeça até que cargo poderia chegar, mas o certo é que mais tarde passou a conferente, encarregado, depois chefe e chegou a superintendente.
No desporto, começou a jogar futebol aos dezoito anos e, em competição oficial até aos 36, tendo no entanto, continuando a jogar até aos 44 anos. Dos tempos em que foi guarda-redes no Leça F. C., guarda boas recordações. Uma ficou bem guardada: quando ele entrou para a equipa, o clube havia sido campeão de juniores no ano anterior (1955/56) e, na época em que jogou pela primeira vez, o Leça ganhou pela segunda vez. Jogaram a final do título nacional, mas o Benfica derrotou-os em Leiria por 6-0. "Para conseguirmos equipamentos e o material minimamente necessário era difícil. Lembro-me que nós tínhamos só uma bola de futebol que só era usada para os jogos de domingo mas, mesmo assim, nós tentámos sempre escolher a bola do adversário para não gastar a nossa!".
Quando o José Henrique passou a sénior, o treinador era José Maria Lacerda. Começou na primeira categoria e na época de 1961/62 o Clube subiu à segunda divisão da zona norte, onde jogavam também o Boavista e o Beira-Mar e onde o Leça se manteve durante oito anos.
Quanto ao dinheiro que ganhavam, "enquanto estávamos na 2a divisão, ganhávamos 2500$ no inicio da época e outro tanto no fim, recebendo um prémio de 250$ por cada vitória em cada e 400$ em casa do adversário. Mas estes valores eram utilizados para os que jogavam melhor, porque havia outros que não recebiam tanto".
Na altura, se o Leça gastasse quinhentos contos com vinte jogadores durante uma época inteira, era muito.
Quando tinha 24 anos, o Sporting C. P. esteve interessado nele, envolvendo essa transferência oitocentos contos; escusado será dizer que o Leça não podia suportar tal quantia.
Reformado à onze anos, depois de uma carreira brilhante no Sindicato, surgiu o convite para ser voluntário no Hospital Pedro Hispano. Foi experimentar, fez uma entrevista, um estágio, viram que ele tinha condições para exercer o cargo e foi admitido. Por norma, trabalha à terça e à quinta-feira das nove da manhã à uma tarde e, quando sai de lá, sente uma sensação estupenda. "Saio de lá com a sensação de que fiz algo de bom e de que fui útil para cuidar da vida das pessoas que, muitas vezes, por pouco não a perdem." E fá-lo sem receber qualquer remuneração.
Um dos seus passatempos preferidos é andar a pé. Contou-nos que uma vez chegou a ir a pé até à Póvoa de Varzim com um amigo. Almoçaram, vieram pela praia, apanharam o comboio até Crestins e depois vieram até Leça novamente a pé. Outra vez, foi a Espinho, almoçou lá, apanhou o comboio até S. Bento e veio a pé para casa. "Eu gosto muito de andar a pé porque tenho um contacto mais directo com as coisas. Não gosto muito de estar metido num café, perdido na conversa de sempre. Gosto muito de ir ao parque da cidade, que é encantador, ou até à Quinta da Conceição..."
Trabalhou para defender os direitos dos trabalhadores, foi uma estrela do futebol local e, hoje em dia, ajuda quem precisa e defende os direitos da sua terra natal.
- Entrevista concedida a: "A Voz de Leça", N.º 5, Setembro 1999
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