Taça Guilherme Pinto
Jogo no Estádio do Leça FC, em Leça da Palmeira
Leça, 0 - Leixões, 3
Dia de festa em Leça da Palmeira, com o jogo entre Leça e Leixões a animar a tarde de sábado e fazer lembrar os grandes dérbis entre as duas equipas. A realidade actual dos dois clubes é bem diferente comparativamente há uns anos atrás, daí que a rivalidade esteja um pouco adormecida. Houve, assim, apenas um cheirinho a dérbi, com o Leixões a fazer valer a lei do mais forte diante de um opositor que deu boa réplica e mostrou ter uma equipa arrumadinha para enfrentar a 3.ª Divisão Nacional. “E para nos ganharem, foram precisos dois golos em fora-de-jogo”, diziam alguns leceiros à saída do estádio. E confirma-se: os golos de Marques foram obtidos em posição ilegal do avançado canarinho.
Com a paragem no campeonato, José Mota aproveitou para experimentar soluções e preparar convenientemente o importante jogo com o Braga, no próximo domingo, às 18 horas, no Estádio do Mar. Depois da derrota (2-3) com o Beira-Mar, também em jogo-treino, a equipa leixonense tinha agora pela frente o vizinho Leça e o técnico rubro-branco colocou de início o onze que deverá iniciar a partida com a formação arsenalista. Mota é mesmo assim: sem truques ou cartas debaixo da manga. Uma postura que se aplaude.
Assim, o Leixões apresentou a mesma defesa que actuou na vitória (1-2) com o Trofense, na segunda jornada da Liga, e um meio-campo onde a novidade foi a inclusão de Roberto Sousa, um dos mais recentes reforços da equipa de Matosinhos. O brasileiro jogou à frente da defesa, na função de trinco, o que obriga ao desvio de China mais para a direita. Hugo Morais, muito bem, jogou na esquerda, aparecendo Wesley no vértice do losango. No ataque, Zé Manel à direita, aparecendo Marques (agora não há Jorge Gonçalves) no lugar de ponta-de-lança. Um 4x4x2 que facilmente se transforma em 4x3x3, consoante a movimentação de Hugo Morais, que ataca e fecha praticamente na mesma dose.
Tal como se esperava, o Leixões foi dominador durante toda a partida, embora sem forçar demasiado o andamento. O Leça, sempre abnegado, também ia dificultando as acções ofensivas, tendo o primeiro golo surgido aos 22 minutos, mas em posição irregular de Marques. Vasco Fernandes, em excelente iniciativa individual, furou a muralha leceira, cruzando depois ao segundo poste, onde Marques, adiantado em relação aos defesas, só teve de encostar (um golo à futsal). A luta a meio-campo era claramente ganha pelos leixonenses, que depois chegavam facilmente à área verde-de-branca, pecando apenas no momento do último passe/toque. Até ao intervalo, referência apenas para um livre de Wesley que obrigou Cerqueira a mostrar atributos, conseguindo desviar a bola para a trave.
Na segunda parte, assistiu-se à habitual dança de substituições próprias de encontros particulares, destacando-se no Leixões a estreia de Brandon Poltronieri, o costa-riquenho que chegou esta época ao Leixões e que, após terem sido dissipadas algumas dúvidas burocráticas, está em condições de actuar já com o Braga, caso José Mota assim o entenda. Sem deslumbrar, Brandon actuou no meio-campo, tendo demonstrado bom sentido posicional e boa capacidade de distribuição de bola. Pelo meio, surgiu o segundo golo do Leixões, novamente por Marques, que apareceu outra vez em posição ilegal, depois de uma boa abertura de Castanheira. O avançado correu alguns metros e, na cara do guarda-redes, disparou certeiro, aumentando a vantagem rubro-branca.
A segunda parte serviu ainda para Chumbinho mostrar que é mesmo um elemento a ter em conta no plantel do Leixões. Impedido de actuar, por motivos burocráticos (uma situação que deve ficar resolvida ainda esta semana), o estratega brasileiro voltou a mostrar alguns dos predicados que exibiu na pré-época: joga bem, tem remate fácil e aguenta como poucos a pressão dos adversários que lhe tentam roubar o esférico. Isto para além da alta visão de jogo. Juntando-lhe mais ritmo de jogo, pode vir a ser um caso sério. Para já, deixa apenas água na boca em jogos não oficiais...
E o Leça? Sim, a equipa leceira também deixou bons apontamentos, isto se tivermos em linha de conta que do outro lado estava uma formação da Liga. Wesllem, que ainda entrou na primeira parte para o lugar do incansável Zé Augusto, deixou a sua marca em alguns lances, tendo causado dores de cabeça a Diogo Luís. Wesllem, produto da cantera do Leixões, é mais-valia neste Leça. É rápido, cruza bem e aparece em zonas de finalização. E foi ele, aos 76 minutos, que obrigou Hans-Peter Berger a travar um remate que levava selo de golo. Logo a seguir, foi a vez de Serrano, ex-júnior do Leixões, a desviar um cruzamento que obrigou outra vez Hans-Peter Berger a mostrar serviço.
O melhor momento da tarde estava reservado para o final da partida. Aos 86 minutos, Castanheira fechou a contagem, com um remate de pé esquerdo, sem deixar a bola cair, que não deu mínimas chances de defesa para Rui Castro. “Se não marcassem um golo em condições, até parecia mal”, diziam novamente os fervorosos adeptos leceiros, que assistiam à partida com grande intensidade. Logo a seguir, acabava o dérbi que acabou por ser interessante para as duas equipas e fez lembrar outros tempos...
Logo após o apito final, o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, desceu ao relvado para entregar a Taça “Guilherme Pinto” a Nuno Silva, capitão do Leixões. Também Cambey, capitão do Leça, recebeu das mãos do presidente da autarquia matosinhense o troféu relativo ao segundo lugar.
In RTP - 27 de Outubro de 2008