| O
ensino primário em Leça da Palmeira
Este
ano lectivo tem marcado por uma grande instabilidade e por um
enorme descontentamento por parte dos pais.
Tudo
isto, porque não houve planificação atempada
das novas directivas emanadas do Ministério da Educação.
Cabia
à Câmara Municipal de Matosinhos e ao Agrupamento
de Escolas preparar o parque escolar da Freguesia para que fosse
implementada a escola a tempo inteiro, ou seja, para que todas
as crianças tivessem aulas de manhã e de tarde,
de forma contínua, até às 17.30, incluindo
as actividades de enriquecimento curricular.
A
Câmara Municipal de Matosinhos há muito que sabe
que as salas de aula disponíveis são manifestamente
insuficientes para o número de crianças que frequentam
as escolas de Leça da Palmeira. Contudo, em vez de avançar
com a proposta defendida pelos leceiros e já apresentada
pelo executivo da Junta de Freguesia, de construir uma escola
a norte da freguesia, continua com a escola do Corpo Santo fechada
e sem que comecem as tão propagadas obras.
Tudo
isto foi agravado pela decisão meramente política
do vereador da educação da Câmara Municipal
de Matosinhos que, para agradar à Ministra da Educação
e ao Governo, decidiu alterar toda a planificação
feita em Junho com o Agrupamento de Escolas.
A
pressa é inimiga da perfeição e os erros
pagam-se caro. Na educação os custos são
ainda maiores, pois estamos a falar do bem-estar, da segurança
e do futuro das nossas crianças.
Na
Escola da Amorosa temos 490 crianças:
• ao monte na escola, com poucos funcionários para
tomar conta deles;
• sem um espaço coberto onde possam estar durante
o intervalo, o que é mais grave nos dias de chuva;
• sem uma cantina que suporte o total de crianças
que aí almoça diariamente, o que faz com que tenham
de almoçar a turnos e, assim, as últimas recebem
a comida já fria;
• as crianças são completamente abandonadas
durante a hora do almoço e os que são mais tímidos
ou mais lentos a comer ficam de barriga vazia;
• colocaram quatro pavilhões pré-fabricados
para servirem de sala de aula, mas esqueceram-se de colocar cobertos
e passadiços até eles, o que faz com que as crianças
tenham de ir pelo meio da lama, das poças e à chuva.
Nas
outras escolas temos crianças que têm aulas de manhã
e as actividades ao meio da tarde e vice-versa. Como é
possível aos pais irem diariamente levar e buscar as crianças
4 vezes à escola? Ainda por cima quando duas dessas vezes
são a meio da manhã ou da tarde?
É
isto a escola a tempo inteiro?
A
tudo isto os pais já responderam com abaixo-assinados,
com queixas junto dos responsáveis da escola e dos órgãos
autárquicos, com pedidos para a DREN, com o fecho da escola
da Amorosa a cadeado, com a denúncia da situação
na comunicação social.
A
tudo isto que responde a Câmara Municipal de Matosinhos?
Que
está atenta. Que os pais exageram. Que os erros denunciados
pelos pais vão ser corrigidos numa segunda fase de intervenção.
Que as obras na escola do Corpo Santo vão permitir que
todos beneficiem da escola a tempo inteiro.
Mas
para quando as obras no Corpo Santo? Pelo que sei já deviam
ter começado e nada!
Mas
para quando a segunda fase de obras com a colocação
dos passadiços e dos cobertos? Quando acabarem as aulas?!
Mas
para quando a colocação de pessoal de forma a garantir
a seguranças das crianças? Quando acontecer algo
de grave?!
Os
pais não irão ficar muito mais tempo à espera.
O prazo de validade das promessas está a expirar.
Joaquim
Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 01 de Novembro de 2006
As
Festas de Santana
Este ano, nas festas de Santana, fomos brindados com dois filmes
sobre a Leça Antiga. Um dos anos 20/30 e um outro, dos
anos 40/50, de propaganda do Estado Novo.
Foi lindo
ver muito daquilo que nunca conheci realmente mas que fazia parte
do meu imaginário, quer pelas fotos antigas, quer, sobretudo,
pelo que me transmitem os meus pais.
Estava uma
noite agradável, uma típica noite de verão
e, felizmente, sem nortada.
Talvez por
isso o recinto, às 11 horas da noite estava cheio, repleto
de leceiros que com um sorriso nos lábios recordavam um
passado que deixa uma certa nostalgia saudável.
Quando cheguei
a casa dei comigo a pensar no porquê de a grande maioria
daquelas pessoas que ali estavam, mesmo sendo leceiras, não
sabiam que estavam nas festas de Santana.
É que,
hoje em dia, o FESTARTE parece que engoliu tudo o resto.
Para que não
restem dúvidas, nada tenho contra o FESTARTE, pelo contrário,
acho que é das poucas actividades que dá prestigio
e eleva o nome de Leça da Palmeira, não só
em Portugal, mas por esse mundo fora.
Só
que o FESTARTE não pode ser as festas de Leça da
Palmeira. O FESTARTE tem um âmbito muito maior. Dura muito
mais tempo e tem uma cobertura concelhia, pois os diferentes grupos
folclóricos vão percorrer as diferentes freguesias
a mostrar as suas culturas.
Digo isto
porque, tirando o FESTARTE, qual o programa das festas de Leça
da Palmeira?
Custa-me ver
que qualquer uma das freguesias de Matosinhos tem as suas próprias
festas e que procuram ter um cartaz atractivo, que chame pessoas
das terras vizinhas e mesmo fora de Matosinhos e Leça da
Palmeira não.
Um bom exemplo
é a nossa vizinha Perafita, que com a simples presença
da Flor conseguiu um enorme banho de multidão.
Os leceiros
são acusados por muitos matosinhenses de serem convencidos
e muito bairristas. O facto de as nossas festas terem um cartaz
quase exclusivamente de consumo interno não ajuda nada
a apagar esta imagem.
Na
semana passada os GNR actuaram em Leça da Palmeira. Porque
não uma semana depois, integrado nas festas de Santana?
No
domingo houve, na Quinta da Conceição, uma festa
organizada por um rádio local, ao mesmo tempo que decorria
o festival folclórico. Porque não uma semana
depois?
As
festas de Leça da Palmeira mereciam mais dignidade e respeito.
Joaquim
Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 31 de Julho de 2006
Incompetência
ou Arte de Enganar?
Tive
a oportunidade de neste site, alertar para uma situação
que é, no mínimo, escandalosa, e que respeita ao
buraco que está junto do viaduto sobre a A28, na Rua Veloso
Salgado.
Para
quem tem andado distraído, relembro que durante as obras
de beneficiação da Rua Veloso Salgado, o empreiteiro
danificou as condutas de água que passam sob o viaduto
que fica na A28 (antigo IC1).
O
empreiteiro foi alertado para o sucedido, tal como a Junta de
Freguesia de Leça da Palmeira, até porque eram milhares
de litros de água que, diariamente se perdiam.
O
empreiteiro limitou-se a dizer que não era nada com ele.
A Junta afirma ter comunicado o caso à Câmara Municipal
de Matosinhos.
Contudo,
o buraco lá está, há 7 ou 8 meses e, pelos
vistos, vai continuar mais algum – longo – tempo.
Na
última Assembleia de Freguesia, questionei directamente
o Executivo da Junta sobre o já «famoso buraco»
e foi-me dito que estava no seguro e como tal, a resolução
do problema não tinha data prevista, pois todos sabemos
como funcionam os seguros em Portugal.
Lamento
que a resposta tenha sido esta. Posso compreendê-la, mas
nunca aceitá-la.
Compreendo
que o empreiteiro tente descartar as culpas. Compreendo que a
Câmara tenha tido necessidade de accionar o seguro. Compreendo
que as companhias de seguros só se preocupem em ganhar
dinheiro.
COMPREENDO,
MAS NÃO ACEITO.
Porque
é que nós, leceiros, temos de ser prejudicados pela
incompetência dos outros?
Porque é que nós, leceiros, temos de andar pelo
meio da rua, sujeitos a sermos atropelados, pela incompetência
dos outros?
Porque
é que nós, leceiros, temos de passar a vergonha
de ver uma das principais artérias de Leça da Palmeira
naquele estado, pela incompetência dos outros?
Não
sou perito em seguros e nem pretendo sê-lo. Mas sei que
nos acidentes automóveis há uma coisa denominada
IDS (indemnização Directa ao Segurado) em que uma
companhia manda arranjar o estrago e depois resolve o problema
com a outra companhia.
Neste
caso não seria possível qualquer coisa do género?
E
se as companhias não se entenderem? E se o processo for
parar a tribunal?
Tudo
isto pode demorar meses a ser resolvido. E o buraco vai continuar
por lá?
E
se uma criança, devido á curiosidade natural que
estas têm, resolve entrar lá e sofre um acidente?
Depois
haverá culpado?
Tudo
isto soa-me a INCOMPETÊNCIA.
O
Executivo da Junta afirma que nada pode fazer, que a obra nem
é dela, que o orçamento que tem só dá
para pequenas obras e todas as grandes obras são da Câmara
Municipal de Matosinhos.
Aceito,
é verdade.
MAS
NÃO É O MESMO EXECUTIVO QUE NAS ELEIÇÕES
LANÇOU UM DESDOBRÁVEL SOBRE AS OBRAS QUE FEZ E PRETENDIA
FAZER EM LEÇA DA PALMEIRA E ONDE CONSTA A BENEFICIAÇÃO
DA RUA VELOSO SALGADO?
TUDO
ISTO SOA-ME A ARTE DE ENGANAR.
Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e
Secundário
Leça da Palmeira, 17 de Junho de 2006
Para que serve o Poder Local? (2)
FOTO
DE 26 DE MARÇO DE 2006

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DE 15 DE MAIO DE 2006

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DE 26 DE MARÇO DE 2006

FOTO
DE 15 DE MAIO DE 2006

As
imagens falam por si. Em 05 de Abril de 2003 escrevi neste mesmo
sitio um artigo em que falava do Poder Local e da INCOMPETÊNCIA
dos nossos líderes autárquicos. (conferir com artigo
“Para que serve o Poder Local”)
Se
até agora a desculpa era o cansaço e a hostilidade
de Narciso Miranda para com Leça da Palmeira, como houve
mudança de Presidente da Câmara, qual será
a desculpa agora.
Como
leceiro gostaria de saber.
Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e
Secundário
Leça da Palmeira, 15 de Maio de 2006
25
de Abril… 32 anos depois
32
anos faz a Revolução do 25 de Abril.
É
usual ouvirmos dizer que a nossa democracia é jovem e que
ainda estamos a aprender a viver em democracia.
Contudo,
tal não me parece correcto. 32 anos já são
anos mais que suficientes para consolidar a democracia.
Ou,
pelos menos, deviam ser…
A
realidade é, infelizmente, muito diferente. O descrédito
da classe política, o abstencionismo, a falta de cidadania
activa, o atraso económico, são provas de que muito
há a caminhar para que os ideais de Abril sejam concretizados.
Os
nossos jovens desconfiam da política e dos políticos
e não se empenham na vida do país.
Mas
a culpa não é só deles. Nós, adultos,
temos a obrigação de lhes transmitir valores…
mas não estamos a conseguir.
Várias
são as razões para esse insucesso: o egoísmo
cada vez maior que caracteriza as pessoas; o sistema educativo
que desculpabiliza, facilita em demasia e não responsabiliza;
mas, também e sobretudo, o mau exemplo que muitas vezes
os políticos dão.
O
caso das faltas dos deputados é um bom exemplo disso. Vivemos
numa Democracia Parlamentar, em que a Assembleia da República
devia ser o exemplo máximo, o motor para a democratização
do país e, com atitudes destas, torna-se apenas no foco
de desestabilização e de descrédito da classe
política.
Já
é quase um chavão a expressão: os políticos
são todos iguais, só querem tacho…
E
muitas vezes é verdade. Não a este nível
em que nos encontramos pois a nível autárquico o
amor à terra continua a ser a principal motivação
para a política. Mas, a nível nacional, proliferam
os exemplos do oportunismo: os “jobs for the boys”,
as nomeações políticas, os ordenados chorudos,
as reformas milionárias…
Mas
há uma outra razão que contribui par a falta de
credibilidade da política e dos políticos: as promessas
incumpridas.
Para
se ganharem eleições tudo se promete, investe-se
sobretudo nas políticas socias. Mas depois, quando se chega
ao poder, os governos tornam-se como que escravos das políticas
económicas e esquecem as sociais. Daí que não
seja de estranhar que se tenha prometido a descida do desemprego
e este continue a aumentar, chegando já ao 14% na zona
norte.
Promete-se
o desenvolvimento harmonioso do país mas as obras que se
anunciam são todas para a mesma área geográfica:
Lisboa e Vale do Tejo, o que acentua cada vez mais o carácter
centralista dos governos.
As
pessoas podem não ser activas na militância da cidadania,
mas estão cada vez mais informadas e não gostam
de ouvir sucessivos anúncios de obras que se vão
realizar, mas de que nunca se vêem os resultados finais.
Ainda
esta semana foi apresentado o relatório da OCDE que traça
um futuro negro para Portugal até 2010; O Banco de Portugal
já veio dizer que o pior ainda está para vir, que
a retoma ainda não é visível.
Isto,
depois de serem exigidos sacrifícios quase supremos aos
portugueses, com os aumentos dos impostos, a quebra do poder de
compra, etc.
Assim,
nem o país se desenvolve nem conseguimos que as pessoas
acreditem na política.
Mas
a culpa não é dos homens de Abril. Eles sonharam
com um Portugal muito melhor: LIVRE, DEMOCRÁTICO E DESENVOLVIDO.
Compete-nos
a nós, políticos, professores, educadores, pais,
… transmitirmos uma imagem de COERENCIA E CREDIBILIDADE
para que os ideais de Abril possam finalmente vingar.
Joaquim
Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 25 de Abril de 2006
A
Vida Continua…
 
Em
Leça da Palmeira assistimos, uma vez mais, a obras de Santa
Engrácia.
Na
Rua Veloso Salgado, recentemente requalificada, com direito a
placa comemorativa e tudo, existe um grande buraco, aberto há
meses, e que continua eternamente à espera que alguém
vá lá, pelo menos olhar para ele.
Pelo
menos em Setembro de 2005 a Junta de Freguesia foi informada que
devido às obras da Rua Veloso Salgado, por debaixo do viaduto
sobre a A28, o tubo da água estava partido e milhares de
litros de água perdiam-se pela auto-estrada abaixo.
Nada
foi feito, as obras concluíram-se, a rua foi inaugurada
a tempo das eleições, foi colocada uma placa elogiando
os autarcas que a inauguraram (não a reconversão,
pelo vistos !!!) mas nada se fez no que à fuga de água
dizia respeito.
O
importante era aumentar o custo da água pois as perdas
em Matosinhos continuam a ser enormes.
Apenas
3 meses depois, quando o piso da rua cedeu, se circundou o buraco.
Agora, passados mais 3 meses desde o início do ano, tudo
continua igual. O buraco lá está, mas os trabalhadores
continuam invisíveis.
Outro
assunto é o IKEA. È um dado adquirido que vem para
Leça da Palmeira. Os nossos autarcas esforçaram-se
por nos fazer crer que era benéfico para Leça a
sua instalação, pois ia criar emprego e ia reordenar
uma área menos desenvolvida.
Esqueceram-se
foi de dizer que a reorganização da rede viária
é, no mínimo, insuficiente e que afinal não
é apenas o IKEA mas o IKEA e mais um centro comercial,
grande, tipo Norteshoping.
Se
é difícil sair de Leça, ainda o vai ser muito
mais, para não dizer impossível.
Mas
a vida continua… a marginal vai entrar em obras e vai ser
inaugurada pela terceira vez depois da época balnear; o
pavilhão gimnodesportivo parece que finalmente vai ficar
concluído; a Junta de Freguesia zangou-se com a Câmara
por causa de possíveis negociações secretas
sobre a saída da Exponor de Leça; a zona histórica
cada vez tem menos pessoas e mais casas devolutas.
Mas
nada disto interessa…. A vida continua
Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e
Secundário
Leça da Palmeira, 26 de Março de 2006
A
Rua da Bataria
(onde está a manutenção da HISTÓRIA
de Leça?)
Vivemos
numa época em que cada vez mais se acentuam as identidades
nacionais, em contraponto à política unionista dos
nossos dirigentes políticos.
Não
terá sido por acaso que a proposta de Constituição
Europeia foi rejeitada em alguns países e “colocada
na gaveta” nos outros, pelo menos temporariamente.
Também,
não será por acaso que as manifestações
de extrema-direita, xenófobas e racistas, têm ganho
cada vez mais adeptos, mesmo em Portugal, país de «brandos
costumes», como se costuma dizer.
Curiosamente,
na nossa Leça da Palmeira, pouco ou nada se tem feito para
conservar a nossa identidade.
É
com tristeza que constato que, cada ano que passa o Leça
Futebol Clube tem menos adeptos, os «leceiros de gema»
são cada vez menos e, os lugares de referência são
cada vez mais cosmopolitas e não locais.
Hoje,
é difícil falar da magia de Leça a alguém
de fora. O que apresentamos é o banal, o comerciável,
o que atrai gente de fora e vem cá passar um tempo e gastar
o seu dinheiro.
È
óptimo para a economia que isso aconteça, mas é
triste que não se consiga manter o espírito, a essência
do «ser leceiro».
A
Rua da Bataria é um bom sinal dos novos tempos.
Podia
começar pelo enorme erro de construção que
aí se verifica. Quem busca um número nessa rua,
chega junto do pavilhão gimnodesportivo e vai embora.
QUEM
ADIVINHARÁ QUE AQUELE CAMINHO DE CABRAS, EM TERRA BATIDA,
ENTRE CAMPOS E MATOS, É A CONTINUAÇÃO DA
RUA DA BATARIA?
Mas
a verdade é que assim é. Duzentos menos depois a
rua renasce das cinzas, como se nada se tivesse passado.
Alguém
me consegue explicar essa obra?
Não
há muitos anos, uns 20 no máximo, passava eu todos
os dias naquela rua e havia lá uma grande fábrica
a laborar e que era significativa da economia leceira: a Aguiar
Pedroso.
Hoje,
é um conjunto de habitações, sem nenhuma
referência ao passado.
A
toponímia da rua remete-me para uma bataria. Percorro-a
de lés-a-lés e não encontro a bataria. Antes
da construção do pavilhão, ainda tinha havido
o cuidado de deixar um aparte do muro e uma guarita do antigo
quartel, para preservar a memória.
Agora,
tudo foi destruído, apagado, como se nada fosse.
Como
leceiro custa-me.
Ainda
há pouco tempo, tentei dizer à minha filha que Leça
era terra de pescadores e lavradores. Ela olhou-me admirada, estupefacta,
como se eu estivesse a contar uma história de ficção
científica.
Ainda
bem que existe o Rancho Típico da Amorosa que vai relembrando
o passado.
Os
políticos não poderiam, também, contribuir
um pouco?
Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico
e Secundário *
Leça da Palmeira, 27 de Janeiro de 2006
*
Assino como professor, como enquanto cidadão não
prescindo do meu direito de ter opinião sobre o que se
passa na minha freguesia. Nunca escondi que sou membro do PSD,
mas não é com esse sentido que aqui escrevo. Quando
fizer um artigo mais político e menos de opinião,
serei o primeiro a reconhecer e a assinar como político.
Até lá, lamento que algumas pessoas não saibam
exercer o direito à cidadania.
A
respeito do "apertar o cinto"…
(sempre os
mesmos!)
Como
todos sabemos há uma campanha de sensibilização
da opinião pública para que todos, em conjunto,
acedamos pacificamente às pretensões do Governo
de nos fazer «apertar o cinto».
O
défice excessivo parece ser a única realidade do
país e os grandes culpados são os funcionários
públicos e os trabalhadores que não produzem o suficiente
para tornar Portugal num país competitivo.
Claro
que as sucessivas nomeações para altos cargos e
com altos vencimentos são apenas questões de pormenor…
Claro
que exercer uma função durante 6 anos e ter direito
a uma pensão vitalícia de milhares de euros é
apenas uma questão de pormenor…
Claro
que gastar o dinheiro em obras de interesse duvidoso e em alturas
duvidosas é apenas uma questão de pormenor…
Em Leça da Palmeira verificamos a existência de inúmeras
obras. Todas elas são necessárias e só pecam
pelo atraso excessivo com que estão a ser feitas.
Mas
a verdade é que o pavilhão gimnodesportivo que está
a ser construído e que vai custar uns milhares não
faz esquecer os sete milhões e meio de euros gastos no
Parque Desportivo de Leça e que continua a ser uma obra
bastante cara para a utilidade que tem.
Quem
paga essa má gestão do nosso dinheiro?
A
Rua Veloso Salgado, finalmente, está em renovação.
Vai ser construída uma nova rotunda a Este do estádio
do Leça Futebol Clube, na ligação com a A28.
Entretanto,
destruiu-se para a única rotunda que havia em Leça
da Palmeira e que estava mesmo bem arranjada, que era a rotunda
da Rua Veloso Salgado com a rua da Exponor, para se construir
uma onda metálica, segundo creio.
Em
nome do défice, não era melhor deixar lá
as quatro belas palmeiras que até faziam jus ao nome da
nossa terra e construir a obra de arte da onda na nova rotunda
que irá ser construída ou naquela que fica no cruzamento
da Óscar da Silva, Belchior Robles, Veloso Salgado e Fernando
Aroso?
Claro
que assim deve ser mais caro, mas alguém é responsabilizado
pela má gestão do nosso dinheiro?
A
Junta de Freguesia fez chegar a casa dos leceiros (de alguns pelo
menos, pois há zonas que o Executivo parece continuar a
ignorar) um desdobrável com os direitos dos animais.
Anteriormente, havia feito chegar aos leceiros um desdobrável
para o apelo ao voto nas eleições.
Não
discuto a pertinência do envio de tais desdobráveis,
mas numa altura de crise não era melhor pensar bem onde
se gasta o dinheiro?
Se
calhar o dinheiro que se gastou na publicidade dos direitos dos
animais daria para instalar na freguesia mais postos de distribuição
de sacos para recolha dos dejectos deixados por esses mesmos animais.
O
dinheiro que se pouparia, se as obras fossem devidamente planeadas,
talvez desse para a piscina coberta que tanta falta faz aos leceiros;
ou talvez desse para a construção dos passeios na
Rua Direita, para que as crianças não tivessem de
ir pelo meio da rua, sujeitando-se a serem atropeladas; ou talvez
desse para organizar o festival de agrupamentos de Leça
da Palmeira (após o sucesso do 1º não se entende
a falta de interesse da autarquia na continuidade deste evento);
ou talvez desse para arranjar o transporte para as crianças
de Gonçalves e Monte Espinho; ou talvez desse para construir
zonas de lazer na Quinta da Conceição para revitalizar
aquele espaço, ou talvez desse para que os cemitérios
abrissem ao domingo à tarde, como é desejo da maioria
dos leceiros, ou talvez desse para que se construíssem
infra-estruturas de apoio aos surfistas, etc...
Custa
muito não se verem realizar obras estruturais fundamentais
para a qualidade de vida das pessoas e vermos gastar-se o dinheiro
público de uma forma completamente irracional.
Se
calhar, em vez da hora de apertarmos o cinto, é chegada
a hora de cobrarmos aos nossos políticos a forma como geriram
o nosso dinheiro nestes últimos anos.
Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico
e Secundário
Leça da Palmeira, 24 de Junho de 2005
Caos...
Leça
da Palmeira neste momento parece um autêntico estaleiro.
Já
num outro artigo me referi a este facto e tive a ocasião
de afirmar que as obras são necessárias e não
importa quem as faça mas que se façam, até
porque são obras que há mais de 20 anos fazem parte
do imaginário dos leceiros.
Nada
tenho contra essas obras, lamentando apenas o enorme atraso com
que se estão a realizar. Mas como diz o velho ditado: “mais
vale tarde do que nunca”.
Contudo,
como observador, leceiro, leigo nos assuntos de engenharia e de
planeamento, tenho alguns reparos a fazer.
Neste
momento circular em Leça é simplesmente um caos.
Algumas das principais vias estão cortadas devido a obras
e não foram (ou pelo menos não parecem ter sido)
devidamente pensadas as alternativas.
A
marginal é um bom exemplo, pois a certa altura nem se percebe
se aquela zona em que se pode transitar tem um ou dois sentidos.
A
Rua Veloso Salgado é outro bom exemplo. Começaram
na zona junto a Santa Cruz (e muito bem), onde será feita
a nova rotunda na saída da A28. Só que, de repente,
passaram para a zona da rotunda com a Óscar da Silva e
cortaram o trânsito logo acima do Hotel Trip.
O
resultado foi o CAOS.
Porquê?
1)
Porque ninguém informou os automobilistas que querem ir
para a zona norte de Leça que havia obras e era melhor
saírem em Freixieiro.
2) Porque ninguém informou os automobilistas que querem
ir para a zona sul que é melhor saírem nas saídas
da chamada ponte grande.
3) Porque ninguém pensou que o cruzamento da Rua da Bataria
com a Óscar da Silva não é alternativa, pois
tem demasiado movimento.
4) Porque a única alternativa existente é o Bairro
do Monte Espinho e não tem uma rede viária capaz,
porque a Câmara Municipal de Matosinhos e a Junta de Freguesia
de Leça da Palmeira não se interessam pelo Monte
Espinho.
5) Porque no Monte Espinho a única alternativa é
a Rua Margarida Ramalho, que não existe a não ser
na placa toponímica existente no local, pois na prática
não passa de um parque de estacionamento. Basta ver as
guias altíssimas que aí deixaram e onde a maioria
dos carros batem ao passar.
Podem-me
dizer que criticar é fácil. É verdade, mas
normalmente quem tem seguido as minhas crónicas sabe que
nunca digo mal por dizer, apresento soluções.
Também
aqui há soluções, viáveis, e que já
foram comunicadas às entidades responsáveis.
1)
Nesta altura de obras é necessário rever o cruzamento
da Rua da Bataria com a Óscar da Silva para ordenar o trânsito
e evitar as filas compactas na hora de ponta. As soluções
são variadas, desde o ordenamento através de força
da autoridade até à colocação de semáforos
temporários.
2) A Rua Margarida Ramalho devia ser reaberta, quanto mais não
fosse por respeito aos moradores, que já têm alertado
a Junta para esse efeito.
3) A real requalificação do Monte Espinho com a
construção de vias estruturantes e não com
a mera colocação de sinais de sentido único.
Leça
merece o melhor e nós leceiros temos o direito de exigir
o melhor.
Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e
Secundário
Leça da Palmeira, 28 de Março de 2005
É
urgente mudar
Este
ano de 2005 vai ser fértil em eleições. Já
no próximo mês teremos as Legislativas e por Outubro
as Autárquicas. No meio, muito possivelmente teremos o
referendo sobre a Constituição Europeia.
Estas
ocasiões são, na essência da Democracia, as
alturas da mudança e, em Leça da Palmeira, há
muito para mudar.
É
URGENTE MUDAR OS POLÍTICOS QUE PENSAM QUE SÃO DONOS
DAS TERRAS QUE GOVERNAM.
Em
Leça da Palmeira temos vários exemplos de políticos
que se esquecem que foram eleitos pelo Povo e que devem governar
em seu nome. Colocam os interesses partidários e as ambições
pessoais acima do interesse público.
Ainda
na semana passada, se fez a apresentação e visita
da nova marginal, com toda a popa e circunstância.
Até
aqui tudo bem. O que não é aceitável é
que os eleitos dos outros partidos não tenham sido convidados.
As
obras que referi são obras públicas, não
de um partido ou de uma pessoa. Como tal, não é
o Sr. Narciso Miranda, nem a Junta de Freguesia, nem o Partido
Socialista que estão a fazer a marginal, mas a Câmara
Municipal de Matosinhos que representa o povo matosinhense e não
apenas o Partido Socialista.
Como
tal, todos os eleitos pelo povo matosinhense deveriam estar representados
nesta sessão pública e não partidária.
É
tempo de o Povo mostrar aos políticos que têm que
cumprir as suas obrigações. Não podem continuar
a ocorrer situações destas.
Ainda
se lembram da proibição de certas pessoas tirarem
fotografias nos jardins da Quinta de Santiago por não terem
a autorização pessoal do Sr. Vereador da Cultura?
Será
que a Quinta é do Vereador ou dos leceiros?
É
URGENTE MUDAR AS POLÍTICAS APLICADAS EM MATOSINHOS.
Ninguém duvida que Leça da Palmeira cresceu e evoluiu
muitos nestes últimos 30 anos. Mas, também, ninguém
duvida que esse crescimento ocorreria de qualquer forma independentemente
das pessoas que estivessem à frente dos destinos da Câmara.
O
que se pode questionar é se cresceu quanto devia e se cresceu
devidamente.
As
políticas aplicadas em Leça da Palmeira revelam
falta de planeamento e de cedência aos interesses imobiliários.
O
Presidente da Junta diz que a prova de que Leça da Palmeira
tem qualidade de vida é o número de habitantes estar
a aumentar. Mas quantos leceiros têm de sair da freguesia?
Onde está a política de habitação
jovem? Quem compra casa cá é a classe média
ou média/alta e não os “leceiros de gema”
que são “expulsos” de Leça.
Quanto
ao planeamento, ou melhor, à falta de planeamento, são
inúmeros os exemplos que posso dar. Os mais conhecidos
e badalados são os fracassos/aberrações do
Parque Desportivo de Leça da Palmeira e os Bairros Sociais.
Como
é possível executarem-se obras que custam milhões
de euros e não servem para nada, como é o caso do
Parque desportivo de Leça?
Claro
que é louvável que se reconheça o erro e
se queira corrigir o que está mal. O problema é
que estamos a falar de dinheiros públicos que estão
a ser mal aplicados e os responsáveis têm que ser
responsabilizados.
O
caso das habitações sociais é mais um exemplo.
Agora, o Sr. Presidente da Câmara vem dizer que não
mais construirá super bairros como o que está a
construir em Leça da Palmeira, na zona do Monte Espinho.
Não
mais construirá porquê? Será que finalmente
ouviu as vozes que sempre se manifestaram contra a construção
de guetos? Mas, se ouviu, porque ainda vai construir a segunda
fase (mais cento e tal casas a juntar às 165 que estão
a ser construídas)?
Diz
o Sr. Presidente da Câmara que as habitações
fazem parte do reordenamento do bairro clandestino. Mas nem todas
as casas são clandestinas e, as que o são são-no
apenas pelo preço exacerbado que a Câmara Municipal
de Matosinhos pede pela sua legalização.
Mas
se vai haver a requalificação do Monte Espinho e
das acessibilidades onde está o projecto? Ninguém
o viu, ninguém o conhece e não são conhecidas
intenções de intervenção a esse nível
na zona.
É
tempo de as pessoas não se deixarem iludir por estaleiros
nas vésperas das eleições.
É
URGENTE MUDAR O NÍVEL DE PARTICIPAÇÃO DAS
PESSOAS NAS ELEIÇÕES.
É
costume dizer-se que os políticos são maus, mas
se o são a culpa é de quem os coloca lá.
Mas, sobretudo, de quem não vai votar e fica em casa ou
vai para a praia.
È
tempo de as pessoas perceberem a importância que tem o voto
e que não chega criticar, é necessário participar.
Matosinhos
tem futuro, mas tem que ser bem pensado e isso depende de todos
nós, matosinhenses.
Joaquim
Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 16 de Janeiro de 2005
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