Joaquim Monteiro
Professor do Ensino Básico e Secundário
 
 
 
 
 
Opinião

O ensino primário em Leça da Palmeira

 

Este ano lectivo tem marcado por uma grande instabilidade e por um enorme descontentamento por parte dos pais.

Tudo isto, porque não houve planificação atempada das novas directivas emanadas do Ministério da Educação.

Cabia à Câmara Municipal de Matosinhos e ao Agrupamento de Escolas preparar o parque escolar da Freguesia para que fosse implementada a escola a tempo inteiro, ou seja, para que todas as crianças tivessem aulas de manhã e de tarde, de forma contínua, até às 17.30, incluindo as actividades de enriquecimento curricular.

A Câmara Municipal de Matosinhos há muito que sabe que as salas de aula disponíveis são manifestamente insuficientes para o número de crianças que frequentam as escolas de Leça da Palmeira. Contudo, em vez de avançar com a proposta defendida pelos leceiros e já apresentada pelo executivo da Junta de Freguesia, de construir uma escola a norte da freguesia, continua com a escola do Corpo Santo fechada e sem que comecem as tão propagadas obras.

Tudo isto foi agravado pela decisão meramente política do vereador da educação da Câmara Municipal de Matosinhos que, para agradar à Ministra da Educação e ao Governo, decidiu alterar toda a planificação feita em Junho com o Agrupamento de Escolas.

A pressa é inimiga da perfeição e os erros pagam-se caro. Na educação os custos são ainda maiores, pois estamos a falar do bem-estar, da segurança e do futuro das nossas crianças.

Na Escola da Amorosa temos 490 crianças:

• ao monte na escola, com poucos funcionários para tomar conta deles;

• sem um espaço coberto onde possam estar durante o intervalo, o que é mais grave nos dias de chuva;

• sem uma cantina que suporte o total de crianças que aí almoça diariamente, o que faz com que tenham de almoçar a turnos e, assim, as últimas recebem a comida já fria;

• as crianças são completamente abandonadas durante a hora do almoço e os que são mais tímidos ou mais lentos a comer ficam de barriga vazia;

• colocaram quatro pavilhões pré-fabricados para servirem de sala de aula, mas esqueceram-se de colocar cobertos e passadiços até eles, o que faz com que as crianças tenham de ir pelo meio da lama, das poças e à chuva.

Nas outras escolas temos crianças que têm aulas de manhã e as actividades ao meio da tarde e vice-versa. Como é possível aos pais irem diariamente levar e buscar as crianças 4 vezes à escola? Ainda por cima quando duas dessas vezes são a meio da manhã ou da tarde?

É isto a escola a tempo inteiro?

A tudo isto os pais já responderam com abaixo-assinados, com queixas junto dos responsáveis da escola e dos órgãos autárquicos, com pedidos para a DREN, com o fecho da escola da Amorosa a cadeado, com a denúncia da situação na comunicação social.

A tudo isto que responde a Câmara Municipal de Matosinhos?

Que está atenta. Que os pais exageram. Que os erros denunciados pelos pais vão ser corrigidos numa segunda fase de intervenção. Que as obras na escola do Corpo Santo vão permitir que todos beneficiem da escola a tempo inteiro.

Mas para quando as obras no Corpo Santo? Pelo que sei já deviam ter começado e nada!

Mas para quando a segunda fase de obras com a colocação dos passadiços e dos cobertos? Quando acabarem as aulas?!

Mas para quando a colocação de pessoal de forma a garantir a seguranças das crianças? Quando acontecer algo de grave?!

Os pais não irão ficar muito mais tempo à espera. O prazo de validade das promessas está a expirar.

Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 01 de Novembro de 2006

 


 

 

As Festas de Santana


Este ano, nas festas de Santana, fomos brindados com dois filmes sobre a Leça Antiga. Um dos anos 20/30 e um outro, dos anos 40/50, de propaganda do Estado Novo.

Foi lindo ver muito daquilo que nunca conheci realmente mas que fazia parte do meu imaginário, quer pelas fotos antigas, quer, sobretudo, pelo que me transmitem os meus pais.

Estava uma noite agradável, uma típica noite de verão e, felizmente, sem nortada.

Talvez por isso o recinto, às 11 horas da noite estava cheio, repleto de leceiros que com um sorriso nos lábios recordavam um passado que deixa uma certa nostalgia saudável.

Quando cheguei a casa dei comigo a pensar no porquê de a grande maioria daquelas pessoas que ali estavam, mesmo sendo leceiras, não sabiam que estavam nas festas de Santana.

É que, hoje em dia, o FESTARTE parece que engoliu tudo o resto.

Para que não restem dúvidas, nada tenho contra o FESTARTE, pelo contrário, acho que é das poucas actividades que dá prestigio e eleva o nome de Leça da Palmeira, não só em Portugal, mas por esse mundo fora.

Só que o FESTARTE não pode ser as festas de Leça da Palmeira. O FESTARTE tem um âmbito muito maior. Dura muito mais tempo e tem uma cobertura concelhia, pois os diferentes grupos folclóricos vão percorrer as diferentes freguesias a mostrar as suas culturas.

Digo isto porque, tirando o FESTARTE, qual o programa das festas de Leça da Palmeira?

Custa-me ver que qualquer uma das freguesias de Matosinhos tem as suas próprias festas e que procuram ter um cartaz atractivo, que chame pessoas das terras vizinhas e mesmo fora de Matosinhos e Leça da Palmeira não.

Um bom exemplo é a nossa vizinha Perafita, que com a simples presença da Flor conseguiu um enorme banho de multidão.

Os leceiros são acusados por muitos matosinhenses de serem convencidos e muito bairristas. O facto de as nossas festas terem um cartaz quase exclusivamente de consumo interno não ajuda nada a apagar esta imagem.

Na semana passada os GNR actuaram em Leça da Palmeira. Porque não uma semana depois, integrado nas festas de Santana?

No domingo houve, na Quinta da Conceição, uma festa organizada por um rádio local, ao mesmo tempo que decorria o festival folclórico. Porque não uma semana depois?

As festas de Leça da Palmeira mereciam mais dignidade e respeito.

Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 31 de Julho de 2006

 


 

Incompetência ou Arte de Enganar?


Tive a oportunidade de neste site, alertar para uma situação que é, no mínimo, escandalosa, e que respeita ao buraco que está junto do viaduto sobre a A28, na Rua Veloso Salgado.

Para quem tem andado distraído, relembro que durante as obras de beneficiação da Rua Veloso Salgado, o empreiteiro danificou as condutas de água que passam sob o viaduto que fica na A28 (antigo IC1).

O empreiteiro foi alertado para o sucedido, tal como a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, até porque eram milhares de litros de água que, diariamente se perdiam.

O empreiteiro limitou-se a dizer que não era nada com ele. A Junta afirma ter comunicado o caso à Câmara Municipal de Matosinhos.

Contudo, o buraco lá está, há 7 ou 8 meses e, pelos vistos, vai continuar mais algum – longo – tempo.

Na última Assembleia de Freguesia, questionei directamente o Executivo da Junta sobre o já «famoso buraco» e foi-me dito que estava no seguro e como tal, a resolução do problema não tinha data prevista, pois todos sabemos como funcionam os seguros em Portugal.

Lamento que a resposta tenha sido esta. Posso compreendê-la, mas nunca aceitá-la.

Compreendo que o empreiteiro tente descartar as culpas. Compreendo que a Câmara tenha tido necessidade de accionar o seguro. Compreendo que as companhias de seguros só se preocupem em ganhar dinheiro.

COMPREENDO, MAS NÃO ACEITO.

Porque é que nós, leceiros, temos de ser prejudicados pela incompetência dos outros?

Porque é que nós, leceiros, temos de andar pelo meio da rua, sujeitos a sermos atropelados, pela incompetência dos outros?

Porque é que nós, leceiros, temos de passar a vergonha de ver uma das principais artérias de Leça da Palmeira naquele estado, pela incompetência dos outros?

Não sou perito em seguros e nem pretendo sê-lo. Mas sei que nos acidentes automóveis há uma coisa denominada IDS (indemnização Directa ao Segurado) em que uma companhia manda arranjar o estrago e depois resolve o problema com a outra companhia.

Neste caso não seria possível qualquer coisa do género?

E se as companhias não se entenderem? E se o processo for parar a tribunal?

Tudo isto pode demorar meses a ser resolvido. E o buraco vai continuar por lá?

E se uma criança, devido á curiosidade natural que estas têm, resolve entrar lá e sofre um acidente?

Depois haverá culpado?

Tudo isto soa-me a INCOMPETÊNCIA.

O Executivo da Junta afirma que nada pode fazer, que a obra nem é dela, que o orçamento que tem só dá para pequenas obras e todas as grandes obras são da Câmara Municipal de Matosinhos.

Aceito, é verdade.

MAS NÃO É O MESMO EXECUTIVO QUE NAS ELEIÇÕES LANÇOU UM DESDOBRÁVEL SOBRE AS OBRAS QUE FEZ E PRETENDIA FAZER EM LEÇA DA PALMEIRA E ONDE CONSTA A BENEFICIAÇÃO DA RUA VELOSO SALGADO?

TUDO ISTO SOA-ME A ARTE DE ENGANAR.


Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 17 de Junho de 2006



 

 

Para que serve o Poder Local? (2)

 


FOTO DE 26 DE MARÇO DE 2006


FOTO DE 15 DE MAIO DE 2006

 

FOTO DE 26 DE MARÇO DE 2006

 

FOTO DE 15 DE MAIO DE 2006

 

As imagens falam por si. Em 05 de Abril de 2003 escrevi neste mesmo sitio um artigo em que falava do Poder Local e da INCOMPETÊNCIA dos nossos líderes autárquicos. (conferir com artigo “Para que serve o Poder Local”)

Se até agora a desculpa era o cansaço e a hostilidade de Narciso Miranda para com Leça da Palmeira, como houve mudança de Presidente da Câmara, qual será a desculpa agora.

Como leceiro gostaria de saber.


Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 15 de Maio de 2006

 


 

25 de Abril… 32 anos depois

32 anos faz a Revolução do 25 de Abril.

É usual ouvirmos dizer que a nossa democracia é jovem e que ainda estamos a aprender a viver em democracia.

Contudo, tal não me parece correcto. 32 anos já são anos mais que suficientes para consolidar a democracia.

Ou, pelos menos, deviam ser…

A realidade é, infelizmente, muito diferente. O descrédito da classe política, o abstencionismo, a falta de cidadania activa, o atraso económico, são provas de que muito há a caminhar para que os ideais de Abril sejam concretizados.

Os nossos jovens desconfiam da política e dos políticos e não se empenham na vida do país.

Mas a culpa não é só deles. Nós, adultos, temos a obrigação de lhes transmitir valores… mas não estamos a conseguir.

Várias são as razões para esse insucesso: o egoísmo cada vez maior que caracteriza as pessoas; o sistema educativo que desculpabiliza, facilita em demasia e não responsabiliza; mas, também e sobretudo, o mau exemplo que muitas vezes os políticos dão.

O caso das faltas dos deputados é um bom exemplo disso. Vivemos numa Democracia Parlamentar, em que a Assembleia da República devia ser o exemplo máximo, o motor para a democratização do país e, com atitudes destas, torna-se apenas no foco de desestabilização e de descrédito da classe política.

Já é quase um chavão a expressão: os políticos são todos iguais, só querem tacho…

E muitas vezes é verdade. Não a este nível em que nos encontramos pois a nível autárquico o amor à terra continua a ser a principal motivação para a política. Mas, a nível nacional, proliferam os exemplos do oportunismo: os “jobs for the boys”, as nomeações políticas, os ordenados chorudos, as reformas milionárias…

Mas há uma outra razão que contribui par a falta de credibilidade da política e dos políticos: as promessas incumpridas.

Para se ganharem eleições tudo se promete, investe-se sobretudo nas políticas socias. Mas depois, quando se chega ao poder, os governos tornam-se como que escravos das políticas económicas e esquecem as sociais. Daí que não seja de estranhar que se tenha prometido a descida do desemprego e este continue a aumentar, chegando já ao 14% na zona norte.

Promete-se o desenvolvimento harmonioso do país mas as obras que se anunciam são todas para a mesma área geográfica: Lisboa e Vale do Tejo, o que acentua cada vez mais o carácter centralista dos governos.

As pessoas podem não ser activas na militância da cidadania, mas estão cada vez mais informadas e não gostam de ouvir sucessivos anúncios de obras que se vão realizar, mas de que nunca se vêem os resultados finais.

Ainda esta semana foi apresentado o relatório da OCDE que traça um futuro negro para Portugal até 2010; O Banco de Portugal já veio dizer que o pior ainda está para vir, que a retoma ainda não é visível.

Isto, depois de serem exigidos sacrifícios quase supremos aos portugueses, com os aumentos dos impostos, a quebra do poder de compra, etc.

Assim, nem o país se desenvolve nem conseguimos que as pessoas acreditem na política.

Mas a culpa não é dos homens de Abril. Eles sonharam com um Portugal muito melhor: LIVRE, DEMOCRÁTICO E DESENVOLVIDO.

Compete-nos a nós, políticos, professores, educadores, pais, … transmitirmos uma imagem de COERENCIA E CREDIBILIDADE para que os ideais de Abril possam finalmente vingar.

Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 25 de Abril de 2006

 

 


 

 

A Vida Continua…

Em Leça da Palmeira assistimos, uma vez mais, a obras de Santa Engrácia.

Na Rua Veloso Salgado, recentemente requalificada, com direito a placa comemorativa e tudo, existe um grande buraco, aberto há meses, e que continua eternamente à espera que alguém vá lá, pelo menos olhar para ele.

Pelo menos em Setembro de 2005 a Junta de Freguesia foi informada que devido às obras da Rua Veloso Salgado, por debaixo do viaduto sobre a A28, o tubo da água estava partido e milhares de litros de água perdiam-se pela auto-estrada abaixo.

Nada foi feito, as obras concluíram-se, a rua foi inaugurada a tempo das eleições, foi colocada uma placa elogiando os autarcas que a inauguraram (não a reconversão, pelo vistos !!!) mas nada se fez no que à fuga de água dizia respeito.

O importante era aumentar o custo da água pois as perdas em Matosinhos continuam a ser enormes.

Apenas 3 meses depois, quando o piso da rua cedeu, se circundou o buraco. Agora, passados mais 3 meses desde o início do ano, tudo continua igual. O buraco lá está, mas os trabalhadores continuam invisíveis.

Outro assunto é o IKEA. È um dado adquirido que vem para Leça da Palmeira. Os nossos autarcas esforçaram-se por nos fazer crer que era benéfico para Leça a sua instalação, pois ia criar emprego e ia reordenar uma área menos desenvolvida.

Esqueceram-se foi de dizer que a reorganização da rede viária é, no mínimo, insuficiente e que afinal não é apenas o IKEA mas o IKEA e mais um centro comercial, grande, tipo Norteshoping.

Se é difícil sair de Leça, ainda o vai ser muito mais, para não dizer impossível.

Mas a vida continua… a marginal vai entrar em obras e vai ser inaugurada pela terceira vez depois da época balnear; o pavilhão gimnodesportivo parece que finalmente vai ficar concluído; a Junta de Freguesia zangou-se com a Câmara por causa de possíveis negociações secretas sobre a saída da Exponor de Leça; a zona histórica cada vez tem menos pessoas e mais casas devolutas.

Mas nada disto interessa…. A vida continua


Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 26 de Março de 2006

 

 


 

A Rua da Bataria
(onde está a manutenção da HISTÓRIA de Leça?)


Vivemos numa época em que cada vez mais se acentuam as identidades nacionais, em contraponto à política unionista dos nossos dirigentes políticos.

Não terá sido por acaso que a proposta de Constituição Europeia foi rejeitada em alguns países e “colocada na gaveta” nos outros, pelo menos temporariamente.

Também, não será por acaso que as manifestações de extrema-direita, xenófobas e racistas, têm ganho cada vez mais adeptos, mesmo em Portugal, país de «brandos costumes», como se costuma dizer.

Curiosamente, na nossa Leça da Palmeira, pouco ou nada se tem feito para conservar a nossa identidade.

É com tristeza que constato que, cada ano que passa o Leça Futebol Clube tem menos adeptos, os «leceiros de gema» são cada vez menos e, os lugares de referência são cada vez mais cosmopolitas e não locais.

Hoje, é difícil falar da magia de Leça a alguém de fora. O que apresentamos é o banal, o comerciável, o que atrai gente de fora e vem cá passar um tempo e gastar o seu dinheiro.

È óptimo para a economia que isso aconteça, mas é triste que não se consiga manter o espírito, a essência do «ser leceiro».

A Rua da Bataria é um bom sinal dos novos tempos.

Podia começar pelo enorme erro de construção que aí se verifica. Quem busca um número nessa rua, chega junto do pavilhão gimnodesportivo e vai embora.

QUEM ADIVINHARÁ QUE AQUELE CAMINHO DE CABRAS, EM TERRA BATIDA, ENTRE CAMPOS E MATOS, É A CONTINUAÇÃO DA RUA DA BATARIA?

Mas a verdade é que assim é. Duzentos menos depois a rua renasce das cinzas, como se nada se tivesse passado.

Alguém me consegue explicar essa obra?

Não há muitos anos, uns 20 no máximo, passava eu todos os dias naquela rua e havia lá uma grande fábrica a laborar e que era significativa da economia leceira: a Aguiar Pedroso.

Hoje, é um conjunto de habitações, sem nenhuma referência ao passado.

A toponímia da rua remete-me para uma bataria. Percorro-a de lés-a-lés e não encontro a bataria. Antes da construção do pavilhão, ainda tinha havido o cuidado de deixar um aparte do muro e uma guarita do antigo quartel, para preservar a memória.

Agora, tudo foi destruído, apagado, como se nada fosse.

Como leceiro custa-me.

Ainda há pouco tempo, tentei dizer à minha filha que Leça era terra de pescadores e lavradores. Ela olhou-me admirada, estupefacta, como se eu estivesse a contar uma história de ficção científica.

Ainda bem que existe o Rancho Típico da Amorosa que vai relembrando o passado.

Os políticos não poderiam, também, contribuir um pouco?


Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário *
Leça da Palmeira, 27 de Janeiro de 2006

* Assino como professor, como enquanto cidadão não prescindo do meu direito de ter opinião sobre o que se passa na minha freguesia. Nunca escondi que sou membro do PSD, mas não é com esse sentido que aqui escrevo. Quando fizer um artigo mais político e menos de opinião, serei o primeiro a reconhecer e a assinar como político. Até lá, lamento que algumas pessoas não saibam exercer o direito à cidadania.

 


 

A respeito do "apertar o cinto"…
(sempre os mesmos!)


Como todos sabemos há uma campanha de sensibilização da opinião pública para que todos, em conjunto, acedamos pacificamente às pretensões do Governo de nos fazer «apertar o cinto».

O défice excessivo parece ser a única realidade do país e os grandes culpados são os funcionários públicos e os trabalhadores que não produzem o suficiente para tornar Portugal num país competitivo.

Claro que as sucessivas nomeações para altos cargos e com altos vencimentos são apenas questões de pormenor…

Claro que exercer uma função durante 6 anos e ter direito a uma pensão vitalícia de milhares de euros é apenas uma questão de pormenor…

Claro que gastar o dinheiro em obras de interesse duvidoso e em alturas duvidosas é apenas uma questão de pormenor…


Em Leça da Palmeira verificamos a existência de inúmeras obras. Todas elas são necessárias e só pecam pelo atraso excessivo com que estão a ser feitas.

Mas a verdade é que o pavilhão gimnodesportivo que está a ser construído e que vai custar uns milhares não faz esquecer os sete milhões e meio de euros gastos no Parque Desportivo de Leça e que continua a ser uma obra bastante cara para a utilidade que tem.

Quem paga essa má gestão do nosso dinheiro?

A Rua Veloso Salgado, finalmente, está em renovação. Vai ser construída uma nova rotunda a Este do estádio do Leça Futebol Clube, na ligação com a A28.

Entretanto, destruiu-se para a única rotunda que havia em Leça da Palmeira e que estava mesmo bem arranjada, que era a rotunda da Rua Veloso Salgado com a rua da Exponor, para se construir uma onda metálica, segundo creio.

Em nome do défice, não era melhor deixar lá as quatro belas palmeiras que até faziam jus ao nome da nossa terra e construir a obra de arte da onda na nova rotunda que irá ser construída ou naquela que fica no cruzamento da Óscar da Silva, Belchior Robles, Veloso Salgado e Fernando Aroso?

Claro que assim deve ser mais caro, mas alguém é responsabilizado pela má gestão do nosso dinheiro?

A Junta de Freguesia fez chegar a casa dos leceiros (de alguns pelo menos, pois há zonas que o Executivo parece continuar a ignorar) um desdobrável com os direitos dos animais.
Anteriormente, havia feito chegar aos leceiros um desdobrável para o apelo ao voto nas eleições.

Não discuto a pertinência do envio de tais desdobráveis, mas numa altura de crise não era melhor pensar bem onde se gasta o dinheiro?

Se calhar o dinheiro que se gastou na publicidade dos direitos dos animais daria para instalar na freguesia mais postos de distribuição de sacos para recolha dos dejectos deixados por esses mesmos animais.

O dinheiro que se pouparia, se as obras fossem devidamente planeadas, talvez desse para a piscina coberta que tanta falta faz aos leceiros; ou talvez desse para a construção dos passeios na Rua Direita, para que as crianças não tivessem de ir pelo meio da rua, sujeitando-se a serem atropeladas; ou talvez desse para organizar o festival de agrupamentos de Leça da Palmeira (após o sucesso do 1º não se entende a falta de interesse da autarquia na continuidade deste evento); ou talvez desse para arranjar o transporte para as crianças de Gonçalves e Monte Espinho; ou talvez desse para construir zonas de lazer na Quinta da Conceição para revitalizar aquele espaço, ou talvez desse para que os cemitérios abrissem ao domingo à tarde, como é desejo da maioria dos leceiros, ou talvez desse para que se construíssem infra-estruturas de apoio aos surfistas, etc...

Custa muito não se verem realizar obras estruturais fundamentais para a qualidade de vida das pessoas e vermos gastar-se o dinheiro público de uma forma completamente irracional.

Se calhar, em vez da hora de apertarmos o cinto, é chegada a hora de cobrarmos aos nossos políticos a forma como geriram o nosso dinheiro nestes últimos anos.


Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 24 de Junho de 2005

 


 

 

Caos...


Leça da Palmeira neste momento parece um autêntico estaleiro.

Já num outro artigo me referi a este facto e tive a ocasião de afirmar que as obras são necessárias e não importa quem as faça mas que se façam, até porque são obras que há mais de 20 anos fazem parte do imaginário dos leceiros.

Nada tenho contra essas obras, lamentando apenas o enorme atraso com que se estão a realizar. Mas como diz o velho ditado: “mais vale tarde do que nunca”.

Contudo, como observador, leceiro, leigo nos assuntos de engenharia e de planeamento, tenho alguns reparos a fazer.

Neste momento circular em Leça é simplesmente um caos. Algumas das principais vias estão cortadas devido a obras e não foram (ou pelo menos não parecem ter sido) devidamente pensadas as alternativas.

A marginal é um bom exemplo, pois a certa altura nem se percebe se aquela zona em que se pode transitar tem um ou dois sentidos.

A Rua Veloso Salgado é outro bom exemplo. Começaram na zona junto a Santa Cruz (e muito bem), onde será feita a nova rotunda na saída da A28. Só que, de repente, passaram para a zona da rotunda com a Óscar da Silva e cortaram o trânsito logo acima do Hotel Trip.

O resultado foi o CAOS.

Porquê?

1) Porque ninguém informou os automobilistas que querem ir para a zona norte de Leça que havia obras e era melhor saírem em Freixieiro.

2) Porque ninguém informou os automobilistas que querem ir para a zona sul que é melhor saírem nas saídas da chamada ponte grande.

3) Porque ninguém pensou que o cruzamento da Rua da Bataria com a Óscar da Silva não é alternativa, pois tem demasiado movimento.

4) Porque a única alternativa existente é o Bairro do Monte Espinho e não tem uma rede viária capaz, porque a Câmara Municipal de Matosinhos e a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira não se interessam pelo Monte Espinho.

5) Porque no Monte Espinho a única alternativa é a Rua Margarida Ramalho, que não existe a não ser na placa toponímica existente no local, pois na prática não passa de um parque de estacionamento. Basta ver as guias altíssimas que aí deixaram e onde a maioria dos carros batem ao passar.

Podem-me dizer que criticar é fácil. É verdade, mas normalmente quem tem seguido as minhas crónicas sabe que nunca digo mal por dizer, apresento soluções.

Também aqui há soluções, viáveis, e que já foram comunicadas às entidades responsáveis.

1) Nesta altura de obras é necessário rever o cruzamento da Rua da Bataria com a Óscar da Silva para ordenar o trânsito e evitar as filas compactas na hora de ponta. As soluções são variadas, desde o ordenamento através de força da autoridade até à colocação de semáforos temporários.

2) A Rua Margarida Ramalho devia ser reaberta, quanto mais não fosse por respeito aos moradores, que já têm alertado a Junta para esse efeito.

3) A real requalificação do Monte Espinho com a construção de vias estruturantes e não com a mera colocação de sinais de sentido único.

Leça merece o melhor e nós leceiros temos o direito de exigir o melhor.


Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 28 de Março de 2005

 


 

É urgente mudar

Este ano de 2005 vai ser fértil em eleições. Já no próximo mês teremos as Legislativas e por Outubro as Autárquicas. No meio, muito possivelmente teremos o referendo sobre a Constituição Europeia.

Estas ocasiões são, na essência da Democracia, as alturas da mudança e, em Leça da Palmeira, há muito para mudar.

É URGENTE MUDAR OS POLÍTICOS QUE PENSAM QUE SÃO DONOS DAS TERRAS QUE GOVERNAM.

Em Leça da Palmeira temos vários exemplos de políticos que se esquecem que foram eleitos pelo Povo e que devem governar em seu nome. Colocam os interesses partidários e as ambições pessoais acima do interesse público.

Ainda na semana passada, se fez a apresentação e visita da nova marginal, com toda a popa e circunstância.

Até aqui tudo bem. O que não é aceitável é que os eleitos dos outros partidos não tenham sido convidados.

As obras que referi são obras públicas, não de um partido ou de uma pessoa. Como tal, não é o Sr. Narciso Miranda, nem a Junta de Freguesia, nem o Partido Socialista que estão a fazer a marginal, mas a Câmara Municipal de Matosinhos que representa o povo matosinhense e não apenas o Partido Socialista.

Como tal, todos os eleitos pelo povo matosinhense deveriam estar representados nesta sessão pública e não partidária.

É tempo de o Povo mostrar aos políticos que têm que cumprir as suas obrigações. Não podem continuar a ocorrer situações destas.

Ainda se lembram da proibição de certas pessoas tirarem fotografias nos jardins da Quinta de Santiago por não terem a autorização pessoal do Sr. Vereador da Cultura?

Será que a Quinta é do Vereador ou dos leceiros?

É URGENTE MUDAR AS POLÍTICAS APLICADAS EM MATOSINHOS.

Ninguém duvida que Leça da Palmeira cresceu e evoluiu muitos nestes últimos 30 anos. Mas, também, ninguém duvida que esse crescimento ocorreria de qualquer forma independentemente das pessoas que estivessem à frente dos destinos da Câmara.

O que se pode questionar é se cresceu quanto devia e se cresceu devidamente.

As políticas aplicadas em Leça da Palmeira revelam falta de planeamento e de cedência aos interesses imobiliários.

O Presidente da Junta diz que a prova de que Leça da Palmeira tem qualidade de vida é o número de habitantes estar a aumentar. Mas quantos leceiros têm de sair da freguesia? Onde está a política de habitação jovem? Quem compra casa cá é a classe média ou média/alta e não os “leceiros de gema” que são “expulsos” de Leça.

Quanto ao planeamento, ou melhor, à falta de planeamento, são inúmeros os exemplos que posso dar. Os mais conhecidos e badalados são os fracassos/aberrações do Parque Desportivo de Leça da Palmeira e os Bairros Sociais.

Como é possível executarem-se obras que custam milhões de euros e não servem para nada, como é o caso do Parque desportivo de Leça?

Claro que é louvável que se reconheça o erro e se queira corrigir o que está mal. O problema é que estamos a falar de dinheiros públicos que estão a ser mal aplicados e os responsáveis têm que ser responsabilizados.

O caso das habitações sociais é mais um exemplo. Agora, o Sr. Presidente da Câmara vem dizer que não mais construirá super bairros como o que está a construir em Leça da Palmeira, na zona do Monte Espinho.

Não mais construirá porquê? Será que finalmente ouviu as vozes que sempre se manifestaram contra a construção de guetos? Mas, se ouviu, porque ainda vai construir a segunda fase (mais cento e tal casas a juntar às 165 que estão a ser construídas)?

Diz o Sr. Presidente da Câmara que as habitações fazem parte do reordenamento do bairro clandestino. Mas nem todas as casas são clandestinas e, as que o são são-no apenas pelo preço exacerbado que a Câmara Municipal de Matosinhos pede pela sua legalização.

Mas se vai haver a requalificação do Monte Espinho e das acessibilidades onde está o projecto? Ninguém o viu, ninguém o conhece e não são conhecidas intenções de intervenção a esse nível na zona.

É tempo de as pessoas não se deixarem iludir por estaleiros nas vésperas das eleições.

É URGENTE MUDAR O NÍVEL DE PARTICIPAÇÃO DAS PESSOAS NAS ELEIÇÕES.

É costume dizer-se que os políticos são maus, mas se o são a culpa é de quem os coloca lá. Mas, sobretudo, de quem não vai votar e fica em casa ou vai para a praia.

È tempo de as pessoas perceberem a importância que tem o voto e que não chega criticar, é necessário participar.

Matosinhos tem futuro, mas tem que ser bem pensado e isso depende de todos nós, matosinhenses.

Joaquim Monteiro, Professor do Ensino Básico e Secundário
Leça da Palmeira, 16 de Janeiro de 2005

 

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