Algumas explicações toponómicas

Praia do Aterro

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joaquim_monteiroNa sequência do artigo que escrevi, a respeito da toponímia leceira, tive alguns pedidos para que especificasse alguns dos topónimos utilizados. Assim, para satisfazer a vontade de alguns dos leitores, esta semana irei tecer algumas considerações a respeito de dois dos nomes que utilizei no referido artigo: «praia do aterro» e «Rua Veloso Salgado».

Começo pela «praia do aterro»

Situada a norte da freguesia, perto da delimitação com Perafita e coexistindo com a ETAR, esta praia é famosa pelos eventos que aí ocorrem, sejam de cariz desportivo, como é o caso de provas de surf, ou de caráter cultural/recreativo, como é o caso da Beach Party, ou mesmo pelo bar LKodac que aí se localiza.

O nome de aterro deve-se à colocação dos sedimentos retirados da foz do rio Leça aquando das obras de construção do Porto de Leixões. As toneladas de lamas, terras e pedras que eram retiradas para permitir a construção do canal de navegação tinham de ser depositadas em algum lugar e o local escolhido foi a atual zona do aterro, onde se localiza a famosa praia de que falei.

Um outro topónimo que causou alguma estranheza foi a Rua Veloso Salgado, talvez porque pouco ou nada tenha a ver com Leça da Palmeira.

José Maria Veloso Salgado nasceu em Santa Maria de Melon, na província espanhola de Orense, a 2 de abril de 1864. Filho de agricultores humildes, com dez anos de idade foi para Lisboa, para a casa de um tio, mestre de uma litografia lisboeta, onde começou a trabalhar como aprendiz litógrafo. Revelando uma capacidade criativa digna de registo, ao nível da pintura, foi progredindo nos estudos e ganhando diversos prémios. Como pensionista do Estado português foi para Paris, onde conheceu e fez amizade com Teixeira Lopes, que se tornou um dos principais escultores portugueses.

[h2]Veloso Salgado[/h2]

Veloso Salgado expôs em vários salões europeus, sempre com enorme êxito. Em Portugal, algumas das suas obras mais significativas foram encomendadas para a decoração da Câmara dos Deputados – “Sessão das Cortes Constituintes de 1821” (1902) – e para o Museu Militar – “Apoteose dos Heróis da Liberdade” (1904). Contudo, foi a sua tela “Vasco da Gama na Presença do Samorim” (1898) – vencedora do concurso promovido pela Comissão Comemorativa do Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia e que integra hoje em dia o acervo da Sociedade de Geografia – a que, na época, lhe valeu uma maior notoriedade.

Para a Associação Comercial do Porto, naquele que é hoje o «Palácio da Bolsa», na baixa portuense, encostado à igreja de São Francisco, Veloso Salgado realizou um conjunto de pinturas alegóricas, entre as quais “A Lei Protegendo a Indústria, o Comércio e a Agricultura” (1898), os trípticos “”El-Rei D. Dinis Administrando Justiça” (1899), e “Sessão do Tribunal da Bolsa na Época da sua Fundação” (1901), as telas “As Artes” (1902), “Os Ofícios” (1903), “Ordenações Afonsinas” (1904), “Ordenações Manuelinas” (1904), “Vindimas no Alto Douro” (1903) e “O Comércio Marítimo no Rio Douro”.

Até à próxima semana.
Saudações leceiras

Joaquim Monteiro


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