Como escrever para diferentes públicos sem perder a identidade da sua marca

Como escrever
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Escrever para públicos diferentes não significa reinventar-se a cada publicação. A voz da sua marca é o fio condutor que conecta todo o seu conteúdo, e saber adaptar o tom, manter esse fio condutor intacto, é uma das habilidades mais práticas que um redator ou equipe de conteúdo pode desenvolver. A chave é entender quais elementos da sua escrita são fixos e quais podem ser flexíveis.

Voz e tom não são a mesma coisa

Muitos escritores usam as palavras “voz” e “tom” como sinónimos, mas elas têm funções diferentes, e confundi-las é o que geralmente leva a conteúdo inconsistente em diferentes canais.

A sua voz é fixa. Ela reflete os seus valores, a sua perspectiva e a maneira como você aborda as ideias. Uma marca direta, curiosa e um pouco informal transmitirá essas qualidades, seja escrever um artigo explicativo ou um comunicado da empresa.

O seu tom muda dependendo do contexto. A mesma marca pode usar um registo caloroso e encorajador ao escrever para iniciantes e um mais preciso e técnico ao se dirigir a profissionais experientes. A voz permanece constante; o tom ajusta-se para atender ao leitor. Essa distinção é importante na prática, quando as equipas de conteúdo começam a escrever para novos públicos, o instinto costuma ser mudar a voz quando deveriam mudar apenas o tom. O resultado é um conteúdo que parece desconectado de tudo o que a marca publicou anteriormente.

Definir a sua voz antes de tentar adaptá-la

Antes de escrever para diferentes públicos com eficácia, você precisa de uma definição clara da voz da sua marca e específica o suficiente para ser aplicada de forma consistente, mas não tão rígida a ponto de se tornar uma limitação.

Um bom ponto de partida é: reúna de três a cinco dos seus conteúdos com melhor desempenho e leia-os em sequência. Observe os padrões com extensão das frases, como você lida com a complexidade, se usa humor e em que registo, quais tópicos você nunca evita. Esses padrões são a sua voz revelada.

A partir daí um breve documento de referência, mesmo que seja apenas uma página, oferece a qualquer redator que trabalhe para a sua marca um objetivo claro a seguir. Não precisa de ser um guia de estilo formal, basta que seja concreto o suficiente para que dois redatores diferentes produzam conteúdo que soe como se viesse da mesma fonte.

Na medida que a escrita feita por IA se torna mais comum na elaboração de conteúdo, manter essa consistência de voz torna-se mais dificil. Os Redatores e alguns membros frequentemente usam ferramentas de IA para escrever ou reaproveitar conteúdo em diferentes formatos e um desafio prático é garantir que o resultado final ainda pareça humano e original de forma possível. Ferramentas como a JustDone que exerce trabalho de escrita e que permite humanizar texto ia, é usada como parte do processo de revisão para verificar se os rascunhos mantêm um caráter genuíno e original antes da publicação.

Um exercício prático para definir a sua voz

Escolha três textos publicados que representem a sua marca e leia um determinado paragrafo, e depois responda a essas três perguntas:

  • O que não gostaria de ver em qualquer um desses textos?
  • Como explica essas ideias complexas?

Anotar as respostas dar-lhe-á uma definição prática muito mais útil do que descrições vagas como amigável e profissional.

Como se adaptar a diferentes públicos sem perder a essência

Uma vez que a sua voz esteja definida, adaptar-se a diferentes tipos de pessoas torna-se uma questão de ajustar a forma de apresentação e não de mudar quem de é você de facto. Uma maneira muito útil de pensar sobre isso é imaginar que você é a mesma pessoa a explicar o mesmo assunto para um professor da universidade, para um aluno do ensino médio e um colega, o seu conhecimento e perspectiva não mudam.

Ao escrever para um público geral, saiba que exemplos mais abrangentes e frases mais curtas ajudam bastante. Agora ao escrever para especialistas você pode pressupor conhecimento compartilhado e usar palavras precisas sem explicações excessivas. Em ambos os casos a perspectiva, os valores e a mensagem principal permanecem inalterados.

Um dos erros mais comuns que os escritores cometem ao adaptar o seu texto para diferentes públicos é mudar o vocabulário de forma tão drástica que o conteúdo perde a sua essência. Linguagem simplificada não significa escrita simplista. Você pode escrever de forma acessível e ainda ser específico num assunto, interessante e autêntico.

Quando as ferramentas de IA entram no trabalho?

Cada vez mais membros de conteúdo estão a usar robôs para escrever, editar ou refazer conteúdo rapidamente e isso é eficiente, mas introduz um risco específico: o texto gerado por IA tende a homogeneizar a voz. Além disso, produz uma escrita competente e legível mas que muitas vezes carece da personalidade de uma marca bem definida.

Recomendo criar um tempo de revisão para consistência de voz evite perguntar-se: isso é preciso?, como alternativa use: isso parece nós ou eu?. É nesses momentos que os colegas ajudam na verificação antes de todo processo final. Um detector de IA também pode ajudar a identificar se um rascunho parece humano antes de ser publicado, algo que é uma prática a qualquer processo de revisão de conteúdo.

Quando revisitar a voz da sua marca

A voz da sua marca não é permanente, quando o seu público cresce, o seu produto evolui ou seu mercado muda, a sua voz também pode em algumas vezes precisar de mudar. A chave é fazer essas mudanças de forma deliberada e não se deixar levar por diferentes redatores que puxam em direções opostas. Um bom momento para revisitar a definição da sua voz é quando o conteúdo começa a parecer inconsistente não se limitar apenas entre os canais, mas também dentro de peças individuais.

FAQ – Perguntas Frequentes

As perguntas abaixo abordam os pontos de confusão mais comuns que redatores e equipas de conteúdo enfrentam ao tentar escrever para vários públicos, mantendo uma identidade de marca reconhecível.

1 – Uma marca pode ter mais de uma voz?

Uma marca deve ter uma voz principal, mas pode e deve ter vários tons. Lembre-se que a voz é consistente e o tom se adapta. Se o seu conteúdo fica como se tivesse sido escrito por pessoas completamente diferentes em canais diferentes, esse é um problema de voz, não de tom. A solução é definir a voz claramente, não restringir a gama tonal.

2 – Como sei se a voz da minha marca é forte o suficiente?

Uma voz de marca forte é reconhecível sem atribuição. Remova o logotipo de um conteúdo e pergunte-se se um leitor comum ainda conseguiria identificá-lo como seu. Se conseguir, sua voz estará funcionando. Se não conseguir, ela precisa de uma definição mais específica.

3 – Qual é o maior erro que as marcas cometem ao escrever para novos públicos?

O erro mais comum é presumir que um novo público exige uma nova identidade.  Na maioria dos casos, basta uma abordagem diferente para as mesmas ideias. Altere os exemplos, o nível de vocabulário e o formato, mas não troque os valores ou a perspectiva.

4 – Como as ferramentas de IA afetam a voz da marca?

As ferramentas de IA podem produzir conteúdo fluente e bem estruturado rapidamente, mas geram resultados genéricos, a menos que recebam instruções muito específicas sobre a voz. As equipas que usam IA no seu fluxo de trabalho de conteúdo devem incluir uma etapa de revisão manual focada especificamente em verificar se o resultado ficou como a marca, verificando o ritmo das frases, a escolha das palavras e o caráter geral, não apenas a precisão factual.

5 – Como posso treinar novos redatores para que correspondam à voz da nossa marca?

O método mais eficaz é mostrar, não dizer. Dê aos novos redatores de três a cinco exemplos de conteúdo que representem bem a voz, explique especificamente o que faz com que esses textos funcionem e peça que produzam um texto de teste antes de publicar qualquer coisa publicamente. 

6 – É possível escrever para um público técnico e um público geral no mesmo texto?

É possível, porém geralmente resulta em conteúdo que não satisfaz completamente nenhum dos públicos. Uma abordagem melhor é escrever textos separados, adaptados a cada público, mantendo uma voz consistente em ambos, ajustando o tom, a profundidade e o vocabulário. Se um texto precisar de servir a ambos, estruture-o de forma que os detalhes técnicos apareçam em seções claramente identificadas, que um leitor não especializado possa ignorar sem perder o fio da meada.



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