Nacional

Crédito à habitação recupera no 3º trimestre

Crédito à habitação

Após confinamento e profunda incerteza no 1º semestre


O terceiro trimestre do ano evidenciou diversos sinais positivos no mercado imobiliário, sendo de destacar, pelo sua relevância, a recuperação observada no crédito à habitação concedido pelas instituições financeiras, sobretudo, depois de um primeiro semestre marcado por um confinamento rigoroso ao longo de cerca de 6 semanas, e de uma crise económica subsequente que empurrou milhares de famílias para o lay-off e o desemprego, revela o relatório mensal de novembro da consultora imobiliária Imovendo.

Todavia, estes sinais positivos devem ser contextualizados com base em três dinâmicas distintas:

* Parte dos créditos contratados entre julho e setembro reflectem o efeito de descompressão que se sentiu entre maio e junho, e que colocou, inclusivamente, a procura imobiliária em níveis máximos nos últimos 12 meses; 

* As taxas EURIBOR estarem em valores mínimos históricos,o que permite a obtenção de crédito à habitação em condições competitivas; 

* A percepção, do lado da oferta, de que a conjuntura económica poderá deteriorar-se ao longo dos próximos meses, pelo que importa usufruir da relativa estabilidade dos “asking prices”, dos preços de venda e das avaliações imobiliárias. 

O relatório indica ainda que se o comportamento actual com a procura imobiliária se mantiver até ao fim do ano, o mercado imobiliário poderá contar com cerca de 40 mil transacções no último trimestre de 2020, revelando-se, assim, como contra-cíclico face ao desempenho macro económico nacional e em linha com os resultados obtidos há apenas um ano.

Desta forma e depois de dois anos consecutivos em torno das 180.000 transacções residenciais, o ano de 2020, apesar de toda a volatilidade que o caracterizou, e apesar de todas as incertezas que assombram a real capacidade da economia nacional recuperar em 2021, deverá assegurar um mínimo de 160.000 e um máximo de 172.500 negócios imobiliários, o que deverá ser considerado como positivo, pois revela uma enorme capacidade de recuperação face a um segundo trimestre em que a contracção foi superior a 21,5%.

Esta resiliência é perceptível à luz de dois factores distintos, que impactam interesses praticamente antagónicos:

* Por um lado, os sinais de arrefecimento do mercado imobiliário são cada vez mais e com origem em cada vez mais entidades, pelo que, do lado da Oferta, existe a percepcção de que as actuais condições de mercado poder-se-ão não manter por muito mais tempo, e tal explica que, mesmo em Estado de emergência, o fluxo de novas ofertas no mercado tenha sido constante; 

* Por outro lado, quem quer comprar casa, tem a expectativa de que os cenários mais negros não se verifiquem, mas não deixa de querer antecipar uma eventual deterioração da sua capacidade aquisitiva e da sua elegibilidade em termos de crédito à habitação. 

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