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No dia 1 de novembro de 2025, data em que se assinala o Dia Mundial do Veganismo, mais de trinta militantes do PAN – Pessoas-Animais-Natureza, entre os quais, antigos dirigentes nacionais e regionais, autarcas e ativistas de longa data, formalizaram a sua desfiliação do partido.
A partir de uma posição conjunta, assumem que esta decisão não é tomada de ânimo leve e que surge após um longo e necessário período de reflexão individual que culminou na vontade coletiva de retirada da participação política no atual PAN.
Relembra-se que em julho de 2025, mais de uma centena de pessoas filiadas militantes e simpatizantes subscreveu uma carta aberta à direção do partido, alertando para vários problemas internos que estavam a conduzir o PAN a uma confusão e vazio ideológicos.
O conjunto de pessoas que agora anuncia a sua saída, fá-lo porque considera que, por motivos de coerência ideológica, ética e de consciência pessoal, não podem permanecer filiados neste partido.
“Esta decisão não é de rutura com os ideais que nos trouxeram ao PAN, mas de coerência com eles. A postura de quem decide no partido, a desresponsabilização permanente perante as decisões que tomam, a atribuição de responsabilidades aos outros, conduziu-nos ao ponto da inaceitabilidade de permanência. Para quem sempre esteve no PAN porque acreditava que era possível construir um outro mundo, para quem se juntou para dar valor à ética e assiste a coligações autárquicas que põem em causa os animais, o ambiente, os direitos humanos, torna-se completamente impossível a permanência. Assumir a liberdade deixando de estar amarrada a decisões com as quais nada tivemos que ver mas que continuamente nos questionam sobre elas, é fundamental para a integridade pessoal e para o esclarecimento de todas as pessoas – afirma a antiga deputada Bebiana Cunha.
A esta desfiliação conjunta somam-se também, muitas outras que têm ocorrido desde as últimas eleições, sem que tenha havido da parte da direção qualquer sinal de auto avaliação e responsabilidade sobre posições internas, rumo e futuro do partido.
Miguel Queirós que presidiu o Conselho de Jurisdição Nacional e agora se demite, afirma que “ o PAN deixou de ser quem era – a única plataforma em que as causas e o ativismo comprometido alguma vez convergiram numa estrutura representativa politicamente organizada, a única verdadeira novidade que nos últimos 10 anos em Portugal foi capaz de congregar o entusiasmo e mobilizar a esperança de dezenas de milhares de portuguesas e portugueses.”
Recorde-se que Inês Sousa Real foi eleita em 2023, com cerca de 73% dos votos do congresso, numa lista que desde então foi perdendo a conta gotas vários elementos que apontaram repetidamente falta de democracia interna. A acrescer que, de acordo com os estatutos em vigor do Partido, já deveria ter sido realizado o congresso eletivo em maio de 2025, o que até ao momento ainda não aconteceu, não tendo sequer sido anunciado para acontecer em 2025, mantendo o PAN na sua ilegalidade, apesar da insistência dos filiados e do parecer do Conselho de Jurisdição Nacional.
“Apesar de todos os alertas, quando ainda se esperava uma reflexão interna e maturidade política para o desenvolvimento positivo, aconteceu o inverso – o policiamento do espírito crítico interno, a instauração de procedimentos disciplinares contra os que não concordam com o rumo tomado e a irregularidade do próprio partido ao não se submeter ao escrutínio eleitoral democrático.” – acrescenta Nuno Pires, antigo dirigente nacional.
Anabela Castro, cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Porto em 2024, remata ainda que ”é com profundo desalento que vemos o partido que sonhamos transformar-se noutra coisa diferente, num coletivo claramente mais preocupado em defender os seus erros estratégicos, e a tentar sobreviver sem manter uma conduta de coerência ideológica com os valores essenciais do PAN, do que genuinamente avaliar e se responsabilizar pelos resultados das últimas eleições legislativas e autárquicas, onde as coligações recentes não mais foram do que fugas à ausência de projetos locais robustos, caminhando assim, “orgulhosamente” para a diluição e perda da relevância que o PAN já teve.“
A desfiliação coletiva tem, assim, no dia de promoção do veganismo, um caráter simbólico e ético, sublinhando a importância de coerência entre discurso e a prática e também a necessidade de apelarmos à reconstrução de espaços políticos verdadeiramente horizontais, empáticos e democráticos, para os quais este conjunto de mais de trinta pessoas irá fazer a sua parte.

