Portugal quer liderar o turismo sustentável, mas ainda tem um longo caminho pela frente

Turismo Sustentável
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A Estratégia Turismo 2027 é o referencial português das políticas públicas para este setor. O plano é tornar o turismo um pilar estratégico para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território.


Viajar de forma consciente já não chega para responder aos desafios de sustentabilidade. A Organização Mundial do Turismo (OMT) considera que o conceito deve ser alargado, de forma a abranger o uso adequados dos recursos naturais, o respeito pela identidade cultural das comunidades locais e a garantia de que a atividade se mantém viável a longo prazo. E, finalmente, há que monitorizar os impactos, envolver todas as partes interessadas e manter a satisfação dos visitantes.

Alinhado com estas ideias, Portugal compromete-se a alcançar a neutralidade carbónica, investindo na economia circular e na digitalização, por exemplo. A estratégia nacional inclui várias metas, entre elas garantir que 90% da população residente nas zonas turísticas considere positivo o impacto do turismo na sua região, e que 9 em cada 10 empresas adotem medidas de gestão eficiente de energia, água e resíduos.

Viajar sem poluir

Portugal é hoje um dos países europeus onde a mobilidade elétrica mais cresce, impulsionada por incentivos fiscais, parcerias com marcas automóveis e o aumento de pontos de carregamento em áreas urbanas e turísticas. Cada vez mais turistas escolhem alugar veículos elétricos para explorar o país, especialmente em zonas protegidas ou destinos onde a poluição visual e sonora são preocupações prioritárias, como ilhas e parques naturais.

Na aviação, o desafio é maior. Os combustíveis fósseis continuam a dominar o setor, mas começam a surgir alternativas. O desenvolvimento do SAF (combustível sustentável para aviação) já permitiu testes em companhias que fazem voos domésticos e ligações a capitais europeias. A intenção é clara: pretende-se reduzir drasticamente as emissões por passageiro e compensar parte do impacto com tecnologias mais limpas e rotas otimizadas.

O preço dos veículos elétricos ainda não está ao alcance de todas as carteiras, e a rede de carregamento, embora em expansão, não chega a algumas zonas do interior. Já os combustíveis alternativos enfrentam obstáculos de produção à escala e custos logísticos elevados. Para superar estes entraves, alguns especialistas defendem uma conjugação de políticas públicas fortes, parcerias entre empresas e educação do consumidor.

Hospedagem verde, uma tendência vencedora

De norte a sul do país, o número de alojamentos que apostam em práticas sustentáveis não para de aumentar. Se antes ser “eco-friendly” era apenas um diferencial de marketing, hoje é um requisito praticamente obrigatório para quem quer atrair um público consciente, disposto a pagar mais por uma experiência responsável.

Segundo um estudo da Ecobnb, os viajantes procuram cada vez mais espaços que ofereçam:

  • Painéis solares para produção de energia limpa;
  • Sistemas de reaproveitamento de águas residuais e chuva;
  • Materiais de construção naturais ou reciclados;
  • Decoração de artesãos locais, para minimizar a necessidade de transporte;
  • Pequenos-almoços feitos com produtos biológicos e de origem regional.

Para muitos empresários, o investimento inicial é elevado, mas o retorno dá-se sob a forma de menos consumo de energia, reputação consolidada e um público mais fiel. Ao mesmo tempo, surgem certificações ambientais independentes que distinguem quem realmente cumpre as promessas de sustentabilidade, evitando o chamado greenwashing.

Esta tendência não se limita à hotelaria tradicional. Hostels, glampings e casas de turismo rural também aderem, reinventando-se para oferecer conforto com um impacto ambiental mínimo. A ligação à comunidade local e o incentivo à economia circular são aspetos que ganham cada vez mais destaque.

A digitalização reduz o desperdício

Num setor em que cada ação conta para reduzir a pegada ambiental, até a forma de aceder à internet tem um contributo a dar. Os tradicionais cartões estão a ser substituídos pelo cartão eSIM, que facilita a ativação de pacotes de dados em segundos, sem necessidade de deslocações ou embalagens descartáveis.

O eSIM ajuda a cortar emissões indiretas, poupa tempo aos viajantes e dá às empresas mais ferramentas para oferecerem experiências sustentáveis, como pacotes integrados de mobilidade, alojamento e conetividade.

Mas existem ainda outras tecnologias que reforçam esse compromisso:

  • Plataformas online que ligam turistas a hotéis certificados e atividades de baixo impacto;
  • Sistemas de reservas que evitam deslocações desnecessárias e desperdício de papel;
  • Aplicações que incentivam a utilização de transportes públicos ou partilhados.

Apesar do esforço crescente de empresas e consumidores, as mudanças não são sempre fáceis nem automáticas. Os consumidores precisam de conhecer as opções ao seu dispor, há que garantir a compatibilidade tecnológica e integrar as soluções emergentes na oferta turística.



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