A Bataria de artilharia antiaérea de Leça da Palmeira

Complexo Desportivo Bataria

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Joaquim MonteiroHoje em dia todos nos habituamos a associar o termo «Bataria» ao complexo desportivo de Leça da Palmeira, ao bairro social que detém o mesmo nome e a uma das ruas que lhes dão acesso.

Tal deve-se à opção de salvaguardar o nome «bataria» na zona onde outrora existiu uma bataria de artilharia antiaérea. Por outras palavras, o «quartel», como nós, simples civis, nos referíamos a esse espaço.

Hoje, os mais jovens têm muita dificuldade em imaginar naquela zona um «quartel», com a sua porta-de-armas, as áreas de cozinha, dormitórios, campo de futebol, piscina e alguns exemplares de «canhões antiaéreos».

Mas a verdade é que existiu e durante muitos anos era uma das marcas de Leça da Palmeira.

Eu mesmo, nascido ali muito perto, na rua Óscar da Silva e depois tendo mudado para a atual Rua Francisco Maia, tenho grandes memórias deste espaço. Muitas vezes passei pelo quartel quando ainda estavam lá os soldados «a tempo inteiro» e depois, quando apenas lá estavam apenas alguns soldados do quartel da Senhora da Hora para «tomar conta das instalações».

A área era totalmente diferente. A atual Rua da Bataria, de que não me lembro o nome na altura, era uma rua algo sombria, assustadora mesmo aos olhos de uma criança, quando chegava a noite. De um lado havia campos e do outro, onde agora está um prédio de habitação com vários apartamentos, havia uma fábrica de conservas, a Aguiar Pedroso. De resto, em frente à porta-de-armas, havia uma casa e depois era a bouça, com um caminho em terra batida circundando o muro do quartel até às casas que ficavam nas traseiras, na atual Rua Francisco Maia.

Quando os soldados saíram de vez do quartel este esteve alguns anos ao abandono completo.

Para nós, crianças, foi uma maravilha. Era lá que nos divertíamos a jogar à bola, num campo em terra batida, mas que era um achado. Ainda me lembro dos jogos acérrimos entre o «bairro dos pobres», na atual Rua D. Marcos da Cruz e a «rua Óscar da Silva». Normalmente acabavam mal, mas no dia seguinte lá estávamos todos novamente, como se nada tivesse acontecido, amigos como sempre.

Mais tarde, quando se generalizou o futebol de salão, o pai do futsal, também foi no «quartel» que muitos de nós nos treinávamos para depois irmos fazer os torneios de verão no pavilhão do Choradinho (Freixieiro), na Vila Lia (Santa Cruz do Bispo), ou mesmo no pavilhão do Leça Futebol Clube.

Os «Expensive Soul», no seu primeiro CD, denominado BI, têm uma canção em que referem precisamente estes treinos no quartel da Bataria.

É pena que os jovens leceiros de hoje nem saibam por que razão aquela zona se chama «Bataria» e nem sequer saibam o que é uma bataria. Mas ao menos continua a ser um espaço essencial para a prática desportiva dos jovens.

Até à próxima semana.

Saudações leceiras

Joaquim Monteiro


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6 Comentários

  • Também gostava de ver algumas fotos, foi por isso que vim aqui parar.
    Se alguém quiser disponibilizar agradeço.

  • Grande história ?????sou de Matosinhos, mas lembro-me bem desse quartel??Que lindo Parabéns ???

  • eu este ve na baaf entre 69 e 71 depois da recruta todo o meu servico fui em leca lugar chamado amorosa bataria de artilharia antiaeria ficxa

  • Prestei serviço na Bataria entre 1975 e 1976.
    Gostaria de pedir a v ajuda para obter fotos do quartel.
    Obrigado

  • Em 1981 passei alguns dias a tomar conta dessas instalações, em situação muito precária, na minha vida de militar.

  • Pena que omitisses alguns nomes de Leça que fizeram daquele espaço o seu estádio ou ringue, como a Associação Académica de Leça ou mesmo a equipa do Monte Espinho.

    Já agora em frente à porta de armas havia e penso ainda haver um marmorista.

    E já agora na minha página dedicada ao futsal, denomino o Pavilhão da seguinte forma, Pavilhão Municipal de Leça da Palmeira (Bataria) Matosinhos.

    E corrijo muitos que sendo leceiros ou matosinhenses confundem a “bataria” com “bateria”.

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