A Rua Óscar da Silva (onde nasci)

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Joaquim MonteiroSou um dos leceiros privilegiados. Nasci em Leça, fui batizado em Leça, estudei em Leça, fiz as comunhões em Leça», fui crismado em Leça, casei em Leça, moro em Leça.
Hoje apetece-me falar da rua que me viu nascer, a Rua Óscar da Silva. Até à abertura da Avenida Dr. Fernando Aroso, esta foi a rua mais importante de Leça. Atravessava a freguesia de norte a sul, fazia a ligação á escola mais importante (EB1 da Amorosa), à fábrica mais importante (a FACAR) e à rua que ligava à igreja (rua Direita).

Nesta rua localizavam-se – e ainda se localizam – alguns dos pontos mais importantes do comércio e da indústria leceiras. É o caso da drogaria do João, da Adega Amarela, da padaria Luanda, da Ramirez (que a curto prazo nos vai deixar), do Lelo, da casa Carvalho, da Rampinha e tantos outros que são marcas indeléveis do passado desta artéria.

Também podia incluir a parte cultural, com o acesso à Quinta de Santiago, à Capela de Santana, a escola da Amorosa e o Rancho Típico da Amorosa.

Lembro-me do Lugar das Icas, com as «rifas» (entenda-se festas populares) de Santo António, São João, São Pedro. Eram as mais concorridas de Leça, deixando para trás as da Aldeia Nova, as do Corpo Santo e as de Pedras Novais.

Recordo com saudade o meu tempo da inocência em que passeava pela festa a apregoar os alhos porro que os meus vizinhos me pediam para vender, gritando «quem quer alho» e provocando sorrisos nas pessoas. Até que percebi… e comecei a interessar-me mais pelo baile e pelas meninas que bailavam.

Recordo o jogar à bola em frente da minha casa (junto ao atual restaurante Barril), com bolas feitas com as meias de vidro da minha mãe (e que valeram uns valentes açoites), em que passava um carro de 1o em 10 minutos, parando o jogo.
Mas agora a realidade é outra.
Custa-me ver esta rua a definhar lentamente, ano após ano, sem que a forças autárquicas tomem qualquer medida.

A Rua Óscar da Silva tem uma iluminação péssima, há zonas onde a escuridão é quase total o que causa insegurança e atrai a criminalidade.

A Rua Óscar da Silva tem um piso horrível, lembrando as aldeias abandonadas do Trás-Os-Montes profundo. Ninguém acredita que o piso foi colocado novo há menos de 10 anos. A altura na altura foi que o empreiteiro era novo e não tinha experiência. MAS A CÂMARA NÃO FEZ A SUA PARTE DE FISCALIZAÇÃO, senão tinha verificado que não correspondia ao contratualizado. Mas para piorar a situação, não se sabe se a Câmara acionou a cláusula indemnizatória a que tinha direito.

A Rua Óscar da Silva viu desaparecer as grandes fábricas e hoje já não é referência no comércio local.

A Rua Óscar da Silva tem uma situação habitacional deplorável. São poucas as casas recuperadas nesta rua. Há muitas casas abandonadas (não tantas como na zona histórica, é verdade) e as ilhas continuam a ser uma realidade. Ilhas onde ainda há uma «retrete» exterior que serve duas ou mais habitações.

A RUA ONDE NASCI MERECIA MAIS…

Até à próxima semana.

Saudações leceiras

Joaquim Monteiro


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1 comentário

  • Bom dia a todos eu João Ramiro de Pinho Grosso, nasci na aldeia Nova e no final da minha juventude terminei nas Alminhas da ponte aonde dava e deve dar as enchentes sendo paraélio ao nível do Porto de leixões doca 2 quando era o Rio Leça e o que me aborrece é o António da Facar comprar as antigas casa e não reformar ou demolir para ser um novo bairro ou antigo bairro. Em 89 a 91 foi visitar os meus familiares e o que eu vi foi muito abandono e descaso com as nossas antigas casa e sem projeto. Braço a todos os Leceiros e amigos desejo mais união e Felicidades. Abraço.

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