Matosinhos: Escola plantou hortas em todas as salas para erradicar a fome

Colégio Efanor - Matosinhos
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A ideia teve início num concurso. Os alunos não o ganharam, mas tiraram o projecto do papel e, nesta quarta-feira, duas turmas do 6.º ano do Colégio Efanor doaram o primeiro cabaz de alimentos à Cruz Vermelha.[su_spacer]

Têm doze anos e querem mudar o mundo, a começar por Matosinhos. No Colégio Efanor, duas turmas do 6º ano entregaram, nesta quarta-feira, a primeira doação de vegetais biológicos à Cruz Vermelha de Matosinhos. Os alimentos vieram das plantações das famílias, da comunidade académica e de todas as hortas interiores das salas de aula do colégio, criadas pelos alunos.[su_spacer]

A ideia surgiu com a participação num concurso, o Make !t Possible, da AIESEC, que pretende dar a conhecer os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e incentiva à criação de um projecto para ajudar a comunidade local. Erradicar a fome foi a meta escolhida. Por isso, os alunos do 6.º ano construíram hortas de cultivo interno, onde plantaram alface, feijão-verde, tomate-cherry, pimento, rabanete, ervas aromáticas, entre outros, para doar à Cruz Vermelha. Não venceram o concurso, mas não largaram o objectivo.[su_spacer]

Colégio Efanor - Matosinhos

[su_spacer]Os primeiros vegetais cresceram tanto que tiveram de ser transplantados para a horta da família de uma das alunas, em Penafiel. E as pequenas hortas, inicialmente montadas em duas salas de aulas, expandiram-se para todas as salas do colégio, desde o pré-escolar ao terceiro ciclo.[su_spacer]

“Por iniciativa própria, os alunos organizaram-se, falaram com as educadoras e foram ao pré-escolar ensinar como se faziam as hortas interiores”. Mas foram mais além e fizeram “um vídeo de Do It Yourself”, que foi enviado para todos os alunos, famílias e restante comunidade académica, conta Ana Barbosa, psicóloga no colégio. No vídeo, dois alunos demonstram como se faz uma horta de cultivo interno a partir de uma garrafa de água e outros materiais reciclados. Tudo em inglês, a língua oficial do projecto.[su_spacer]

Mudar o mundo a partir das salas de aula[su_spacer]

Colégio Efanor - Matosinhos

[su_spacer]“A realidade das famílias que têm dificuldades em aceder a alimentos está muito longe da realidade destas crianças”, conta Andreia Araújo, a professora de inglês que está a acompanhar o projecto. “Elas não tinham noção de que em Portugal, 1/14 tem dificuldades em ter acesso a alimentos”, revela. Só em Matosinhos, nove mil pessoas vivem em condições de pobreza extrema. E é isso que os alunos querem mudar.[su_spacer]

As ambições do 6.º A não cabem na sala. “Até 2030, queremos erradicar a fome cá em Matosinhos”, diz Pedro. Mas como? Inês, do 6.º B, explica o processo: “Queríamos produzir a comida para dar. Pensámos que poderíamos fazê-lo dentro das nossas salas, depois dentro de todas as salas do colégio e, depois, em várias escolas do país”. Maria acrescenta: “Se toda a gente que mudar de escola der essa ideia às escolas para onde vão, pode ser muito bom. Espalham a ideia.” Luísa, da mesma turma, não tem dúvidas de que é possível mudar o mundo com pequenos passos: “Se conseguíssemos ter todas as escolas de Matosinhos e do país a produzir, íamos conseguir fazer a diferença.”[su_spacer]

Colégio Efanor - Matosinhos

[su_spacer]Esta quarta-feira foi o último dia de aulas dos alunos, mas o trabalho ainda vai continuar no Verão, explica Inês: “Nós estamos a organizarmo-nos agora, porque durante o Verão temos de vir cá para ir recolhendo os alimentos e doando”.[su_spacer]

E o projecto não vai ficar por aqui. Para o ano, as turmas querem dar mais um passo em frente. “A escola vai expandir-se. Já falamos com o director e já temos garantido um espaço reservado para plantarmos árvores de fruto”, conta Luísa.[su_spacer]

Todas as plantações estão ao cuidado dos alunos de 12 anos que, dentro das salas de aulas, já tiveram de lidar com uma “praga de bichinhos”, conta Luísa: “Nós não usamos nada com químicos e assim, é tudo reciclado e biológico. Há pouco tempo, tivemos uma praga e fizemos uma receita caseira de óleo, vinagre e sabão. E resultou!”[su_spacer]

A vontade dos (ainda) mais pequenos[su_spacer]

Colégio Efanor - Matosinhos

[su_spacer]Após o sucesso da iniciativa dos estudantes do 6.º ano, o colégio desafiou todos os outros a explorar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e lançou um concurso em que cada turma do 1.º e 2.º ciclo teria de fazer o máximo de pequenas acções para atingir cada uma das 17 metas. “A turma que fizesse mais acções para mudar o mundo, ganhava. Mas uma turma do 4.º ano decidiu fazer uma coisa maior e mais organizada”, conta Ana Barbosa. O 4.º B organizou-se por turnos e fez uma venda de lanches para doar o dinheiro angariado à Cruz Vermelha. Mas, também eles, quiseram ir mais além, explica a psicóloga: “Tradicionalmente, com a maior parte das crianças, quando acaba o concurso, as coisas morrem por aí. Esta turma ganhou. Mas não quiseram parar. Encontravam-nos nos corredores e perguntavam o que podiam fazer mais.”[su_spacer]

Num cantinho da sala do 4.º B acumularam-se, durante semanas, caixas de brinquedos e livros usados, mas em bom estado. Todos eles angariados pelas crianças. Com alguma timidez, Hugo admite que “alguns brinquedos foram difíceis de doar”. “Mas valeu a pena”, diz, sorrindo. E o mérito é todo das crianças, segundo Ana Barbosa: “São elas que se organizam, sozinhas. A professora dá-lhes orientação sempre que têm dúvidas, mas a iniciativa é toda delas”.[su_spacer]

Na semana passada, a turma deu mais um passo em frente, conta Martim: “Depois de angariarmos o dinheiro, a Ana foi falar com a Cruz Vermelha e eles disseram que precisavam de leite de validade a partir de Julho. Então, nós tivemos a ideia de desenhar papéis a pedir que toda a gente trouxesse leite, para ajudarmos as famílias que mais precisam”.[su_spacer]

Esta quarta-feira foi um dia especial para as crianças. Para além dos alimentos biológicos frescos, os alunos do Colégio Efanor doaram diversos brinquedos, livros e mais de 120 litros de leite à Cruz Vermelha de Matosinhos.[su_spacer]

in Público
Fotos: Nelson Garrido


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