Ampliação do Terminal de Contentores de Leixões gera preocupação pelo impacto negativo na paisagem

Impacto Visual do Novo Terminal de Contentores de Leixões
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Projeto estratégico para o porto enfrenta contestação local devido aos efeitos visuais e à proximidade de património emblemático da frente costeira


A proposta de Ampliação e Reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões está a gerar polémica e contestação, sobretudo entre residentes e associações locais, devido ao impacto negativo que a intervenção poderá ter na paisagem costeira e em elementos patrimoniais de referência em Leça da Palmeira e Matosinhos. Apesar de reconhecido como um projeto estratégico para a competitividade portuária nacional, o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) identifica impactes visuais significativos que estão no centro do debate público.

De acordo com o Resumo Não Técnico do EIA, o projeto visa criar condições para a receção de navios porta-contentores de maiores dimensões, aumentar a capacidade anual de movimentação de carga contentorizada (TEU) e otimizar as operações do terminal. Para isso, está prevista a ampliação do terrapleno e do cais do Terminal de Contentores Norte (TCN), bem como a inclusão de um terminal ferroviário capaz de receber e expedir comboios com, pelo menos, 750 metros de comprimento. A intervenção inclui ainda a reconstrução e reposicionamento do Posto B do Terminal Petroleiro, a desativar com a expansão do TCN.

Projeto do Novo Terminal de Contentores de Leixões
Localização aproximada da área a afetar pela ampliação do TCN. Fonte: Adaptado de APDL (2023)

No plano socioeconómico, o EIA aponta impactes positivos “muito significativos”, sublinhando que o projeto está alinhado com a estratégia de desenvolvimento definida pela APDL e com os modelos nacionais de reforço da capacidade e eficiência do sistema portuário. A modernização do TCN é considerada essencial para ultrapassar limitações operacionais atuais e reforçar a competitividade do Porto de Leixões no contexto ibérico e europeu.

Estudo aponta para impactes negativos significativos

Contudo, é ao nível da paisagem que surgem os principais focos de contestação. O estudo reconhece impactes negativos significativos decorrentes da ocupação de uma área atualmente de plano de água pelo novo terrapleno, bem como impactes “muito significativos” associados à intrusão visual provocada pelos pórticos de cais e de parque e pela massa compacta de contentores. Estes elementos serão visíveis a partir de vários pontos sensíveis da envolvente, nomeadamente do oceano, do Terminal de Cruzeiros e de toda a frente costeira de Leça da Palmeira até ao Farol, à Capela e à Casa de Chá da Boa Nova.

Projeto do Novo Terminal de Contentores de Leixões

O EIA refere ainda que os efeitos visuais negativos se estendem a zonas mais afastadas, como a praia e a marginal de Matosinhos, incluindo a Avenida General Norton de Matos, a rotunda da Anémona e o Castelo do Queijo. Embora o documento sublinhe que as novas infraestruturas passarão a integrar a paisagem industrial e portuária existente (considerada parte da identidade do lugar) esta leitura não é consensual entre a população local.

Outro aspeto sensível prende-se com a proximidade da obra a elementos patrimoniais como o Forte de Leça da Palmeira e o chamado Titã. O estudo admite a possibilidade de impactes negativos significativos, ainda que mitigáveis, na estabilidade estrutural destes bens, devido ao efeito cumulativo das vibrações provocadas pelas dragagens com desmonte de rocha, pela construção do terrapleno e pela implantação da ferrovia. Para minimizar estes riscos, o EIA propõe medidas de monitorização contínua e ações de salvaguarda do património.

Impacto Visual do Novo Terminal de Contentores de Leixões
Simulação não oficial, partilhada nas redes sociais, sobre o possível impacto visual das obras de ampliação do Terminal de Contentores do Porto de Leixões na frente costeira de Leça da Palmeira.

Para mitigar os impactes paisagísticos, são igualmente sugeridas soluções como a escolha de equipamentos portuários com menor volumetria e cores semelhantes às atualmente existentes no porto, procurando reduzir o contraste visual com a envolvente.

Consulta pública decorre até 2 de fevereiro

O projeto encontra-se atualmente em fase de consulta pública, a decorrer na Agência Portuguesa do Ambiente, no âmbito do processo de Avaliação de Impacte Ambiental. O período decorre durante 30 dias úteis, entre 19 de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026, estando toda a documentação disponível no portal Participa. As opiniões e sugestões apresentadas serão consideradas na decisão final, sendo o licenciamento dependente da emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental favorável ou favorável condicionada.

É neste contexto que surgem vozes críticas da comunidade leceira. Um dos testemunhos recolhidos aponta também para a preocupação com a eventual deslocalização da Marina de Leça: “A decisão de mudança da Marina de Leça para Matosinhos é péssima. É uma má notícia para os habitantes de Leça e negativa do ponto de vista estratégico para o futuro de Matosinhos e Leça da Palmeira”, refere um dos nossos leitores. O mesmo residente questiona ainda as condições de funcionamento da marina no lado sul e defende que poderiam ter sido encontradas soluções alternativas que conciliassem a manutenção da marina com o aumento do espaço para contentores.

Com a consulta pública em curso, o futuro da ampliação do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões permanece em aberto. Entre os argumentos económicos e estratégicos e as preocupações ambientais, paisagísticas e patrimoniais, o projeto promete continuar a gerar debate intenso na região.

Impacto Visual do Novo Terminal de Contentores de Leixões
Simulação não oficial do impacto visual do novo Terminal de Contentores de Leixões, partilhada nas redes sociais.

Consulta de Documentação:
» Resumo Não Técnico
» Relatório Síntese
» Outros Documentos



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