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Fecho da refinaria e Covid-19 são “terramoto” para comércio de Matosinhos

Galp - Refinaria de Matosinhos

Em causa estão 1.500 postos de trabalho diretos e indiretos

O anunciado encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, a juntar à atual pandemia de covid-19 é uma “espécie de terramoto” para a restauração, hotelaria e comércio locais, disseram à Lusa representantes dos setores.

Se sem o atual estado pandémico o fecho do complexo petroquímico era “mau” para Matosinhos com a covid-19 vem causar uma “espécie de terramoto”, considerou à Lusa o presidente da Associação Empresarial do Concelho de Matosinhos (AECM), Fernando Sá Pereira.

Falando na “extrema importância” da refinaria para o concelho, o dirigente referiu que o seu fecho significa desemprego, empobrecimento e prejuízo em diferentes negócios.

A concretizar-se o seu encerramento, os trabalhadores, muitos dos quais fora do concelho, deixam de fazer compras, de comer ou dormir em Matosinhos, sublinhou, recordando estarem em causa cerca de 1.500 postos de trabalho, dos quais 500 diretos.

Comparando a situação a uma “bola de neve”, Fernando Sá Pereira ressalvou que a situação é “muito má” para Matosinhos, mas também para a região Norte e o país.

Por sua vez, e realçando a “preocupante” perda de postos de trabalho, o presidente da Associação de Restaurantes de Matosinhos, Rui Sousa Dias, não tem dúvidas que o fecho do complexo petroquímico terá impactos no setor.

“Seguramente que terá impactos”, salientou, sem contudo os conseguir quantificar para já.

O responsável recordou que a refinaria, quer pelas pessoas que lá trabalham, quer por aqueles que a visitam em contexto laboral, “mexem” com a restauração.

Refinaria da Galp - Leça da Palmeira

E que o diga o proprietário da Adega Amarela, nas imediações da refinaria, que estima uma quebra até 30% por dia.

“Estou preocupado, claro, porque se o negócio diminuir vou ter de dispensar alguns dos meus seis funcionários, algo que não quero”, contou Augusto à Lusa.

O empresário revelou “depender bastante” dos trabalhadores da Petrogal aos almoços e fins de semana, motivo por que se diz “muito apreensivo” quanto ao futuro.

Também o dono do Bonn Leça, restaurante que fica na Avenida Fernando Aroso e emprega mais de uma dezena de pessoas, admite estar “muto preocupado” porque, a juntar a isto, está o coronavírus que o atirou para um serviço exclusivamente de “take away” que o faz faturar só 10 ou 15% do que faturava em fevereiro do ano passado.

“São logo duas coisas que nos afetam: o vírus e as empresas que estão a fechar. E o aeroporto também está a despedir muita gente. Mas a Petrogal preocupa muito”, disse à Lusa José Gonçalves.

O Bonn Leça tem 26 anos de vida, mais de metade da idade da refinaria da Galp, e vive de um orçamento que José Gonçalves acredita que dependa em mais de 25% da Petrogal ao almoço e em dias de semana.

Quem, no mesmo setor, tem opinião um pouco diferente é António Araújo, responsável pelo restaurante “O António”, cuja especialidade são os peixes frescos, o polvo e o cabrito e vive de uma clientela “média alta”, como o próprio descreveu à Lusa.

“É verdade que afeta qualquer coisa. E o pior são os milhares de famílias que vivem da Petrogal, mas de certeza que vão encontrar uma solução para aquele espaço. Em termos de poluição vai ser bom . E outras coisas virão benéficas”, comentou.

Galp Energia - Refinaria

O desaparecimento da poluição e dos cheiros e um maior “sentimento de segurança” são “as coisas positivas” que Fernanda Lemos, de 54 anos, espera que o fecho da refinaria traga.

Mas, além disso, tem ainda a expectativa de ver a refinaria reconvertida para evitar centenas de despedimentos que é “sempre uma má notícia” seja onde for, disse à Lusa, enquanto caminhava à beira-mar.

Igualmente preocupado com o desemprego, Pedro Faria, de 46 anos, 26 dos quais a residir em Matosinhos, espera que seja encontrada uma solução para os trabalhadores, apesar de se mostrar satisfeito pela decisão de fecho por já ter apanhado “alguns sustos”.

“De vez em quando há umas pequenas explosões e incêndios, assim ficamos mais descansados”, relatou, embora tema o que ali se venha a instalar.

Opinião semelhante tem Rui Miguel que, a morar bem perto da refinaria, espera “mesmo” que o encerramento signifique algo melhor para o local, habitantes e ambiente.

“Será que vem aí coisa melhor? Assim, espero”, reforçou.

A Galp anunciou em dezembro de 2020 a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano.

A decisão põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos, conforme estimativas dos sindicatos.

Dinheiro Vivo

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