O Porto de José Mourinho (2003/04) e a surpresa na Liga dos Campeões

José Mourinho
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Mais de vinte anos se passaram desde um dos títulos europeus mais memoráveis do futebol português; no entanto, esta é uma passagem que se mantém bem viva na mente de todos os apreciadores deste desporto.

A caminhada histórica, liderada pelo sempre controverso José Mourinho, é um dos momentos inesquecíveis para o clube da cidade do Porto, mesmo num emblema com um palmarés repleto de celebrações continentais.

O futebol português continua a ser dominado pelos “três grandes”, no entanto, são estas campanhas europeias que nos relembram que o futebol pode ser imprevisível, especialmente nas competições continentais. 

É precisamente essa volatilidade que desperta também o interesse no universo das apostas desportivas, sendo este apenas um dos motivos pelo qual os melhores sites de apostas acompanham de perto estas competições milionárias e oferecem odds atrativas para apostadores que acreditam em equipas menos favoritas.

Neste artigo ficará a conhecer mais aprofundadamente toda a jornada dos dragões da competição e como a temporada 2003-2024 se tornou uma das mais especiais no clube da cidade invicta.

Construção de um plantel competitivo

A chegada do técnico português ao comando do FC Porto em 2002 tinha como grande objetivo o clube recuperar o protagonismo internacional que sempre lhe foi reconhecido, sendo essa uma tarefa difícil.

Após terem conquistado a UEFA Cup (atual Liga Europa) na temporada anterior, era evidente que a confiança reinava no semblante de toda a estrutura, mas lutar por uma Liga dos Campeões é um desafio totalmente diferente.

O Porto de Mourinho em 2004 privilegiava um modelo tático disciplinado, tendo como base uma estrutura em 4-3-3 e onde a organização defensiva oferecia transições rápidas e uma alta intensidade ofensiva.

Apesar do sistema tático ter uma grande importância no sucesso, a construção do plantel não pode ser descurada, com jogadores como Deco, Costinha e Maniche, a serem verdadeiramente preponderantes.

Os três jogadores dominavam por completo o meio-campo, todos com papéis muito distintos, mas onde a sinergia existente foi, por vezes, inexplicável.

O setor defensivo, onde a experiência de jogadores como Vítor Baía e Jorge Costa moldava uma mentalidade competitiva e de liderança, contribuiu decisivamente para o crescimento de outros jogadores, como Paulo Ferreira e Nuno Valente, a atuar nas laterais.

Muitas vezes “subvalorizados” pela maior componente defensiva, Derlei e Carlos Alberto conseguiram também ser jogadores preponderantes com o seu desempenho no ataque, algo evidente nos jogos decisivos.

Fase de grupos previa dificuldades

O início da competição não previa uma tarefa fácil para os dragões, já que a equipa portuguesa acabou sorteada num grupo que contava com os espanhóis do Real Madrid, o conjunto francês do Olympique Marseille e os sérvios do FK Partizan.

A equipa portuguesa não era considerada favorita para garantir um dos dois lugares na fase seguinte da liga milionária, no entanto, terminou a sua prestação apenas atrás do Real Madrid, garantindo assim o segundo lugar.

Mantendo uma disciplina defensiva quase irrepreensível e aproveitando cirurgicamente as oportunidades de contra-ataque, os dragões garantiam assim um lugar nos oitavos de final, onde o adversário pela frente era ainda mais colossal.

O momento-chave na competição

Nos oitavos de final, a campanha europeia do FC Porto em 2003-2004 contava com um “castelo para abater”, já que o sorteio ditou o Manchester United de Alex Ferguson como adversário.

O jogo da primeira mão, realizado no Estádio do Dragão, terminou com uma vitória por 2-1 por parte da equipa da cidade invicta, num jogo muito equilibrado, que deixou a eliminatória em aberto para o jogo a ser disputado em Old Trafford.

No “Palco de todos os sonhos”, o FC Porto viveu uma noite inolvidável, tendo começado a perder por 1-0, mas que teria um desfecho final de “filme”, com o médio Costinha a marcar o golo da glória, após uma defesa do guarda-redes Tim Howard.

Mourinho percorreu toda a linha lateral para celebrar com a restante equipa num instante que certamente lhe estará na memória como um dos mais bonitos da sua carreira e do futebol à escala global.

Etapas até à grande final

Numa competição tão intensa e com os melhores nomes do futebol europeu, a restante caminhada também não se avizinhava fácil, tendo de defrontar mais uma equipa francesa nesta competição, desta vez o Olympique Lyonnais.

Mantendo a sua configuração tática e um estilo de jogo muito “pragmático”, os dragões conseguiram ultrapassar mais esta etapa com uma vitória em França na segunda mão, onde Maniche foi o grande protagonista.

Entre as quatro melhores equipas no velho continente, o embate seguinte foi contra um “velho conhecido”, tendo de defrontar os espanhóis do Deportivo de La Coruña, que eliminaram os italianos do AC Milan numa reviravolta épica.

Mais uma vez, o jogo da primeira volta trouxe uma partida muito equilibrada e com poucas oportunidades de perigo, o que deixava a decisão para a segunda mão, onde um penálti marcado por Deco acabou por ser suficiente para chegar ao jogo do título. 

Estádio de Futebol

Gelsenkirchen, onde o sonho e o legado se tornaram realidade

A grande final, disputada na bonita Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen, na Alemanha, viria a ser disputada por duas grandes surpresas na competição, já que ninguém esperava que os franceses do AC Mónaco chegassem a este patamar.

Contrariando um pouco o que aconteceu durante toda a competição, o FC Porto dominou a partida praticamente desde o início, tendo chegado à vantagem com um golo já perto do intervalo, marcado pelo brasileiro Carlos Alberto.

A superioridade dos dragões tornou-se ainda mais evidente na segunda parte, com golos de Deco e do russo Dmitri Alenichev, que fechou o marcador final nos contundentes 3-0.

Os azuis e brancos levantaram assim o título mais almejado no futebol do velho continente e, assim sendo, a Champions League em 2004 do Porto tornou-se não só uma das maiores surpresas da história, como também uma página de viragem para muitos dos protagonistas.

José Mourinho tornava-se assim um dos treinadores mais cobiçados do mundo e muitos dos grandes intervenientes dos dragões cresceram mediaticamente, com transferências milionárias para alguns dos melhores clubes do futebol.

A estratégia, crença numa visão e união de equipa, foram superlativos suficientes para desafiar as probabilidades, tornando este um marco inesquecível na história do futebol nacional.



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