Rita Slof Monteiro desapareceu há 20 anos em Matosinhos

Rita Slof Monteiro
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Família nunca desistiu e Estado foi condenado por falhas na investigação


Rita Slof Monteiro tinha 18 anos quando desapareceu, a 17 de fevereiro de 2006, junto ao Mercado de Matosinhos. Duas décadas depois, o mistério mantém-se e a família continua sem respostas.

Nesse dia, a jovem, diagnosticada dois anos antes com esquizofrenia, foi deixada pela mãe junto ao mercado para apanhar o autocarro com destino à Fundação de Serralves, no Porto, onde iria participar numa visita de estudo. Rita entrou no Café Internacional, foi à casa de banho e acabou por perder o transporte que a levaria com as colegas.

Ainda falou com funcionárias do estabelecimento, conhecidas da família, e tentou apanhar outro autocarro. Imagens de videovigilância registaram o momento em que entrou num transporte, falou com o motorista e saiu pouco depois, antes de este arrancar. A partir daí, nunca mais foi vista.

Imagens de videovigilância do autocarro

O processo de investigação foi aberto e encerrado sem que o paradeiro da jovem fosse apurado. O pai, Luís Monteiro, procurou-a em diversos locais, incluindo zonas associadas ao tráfico e consumo de droga, deslocou-se a Vigo, em Espanha, e a um acampamento de uma comunidade alternativa em Monchique, no Algarve. Nenhuma das diligências resultou.

A condução inicial do caso ficou marcada por falhas. Amigos da jovem só foram ouvidos três anos depois do desaparecimento, assim como os pais. O quarto de Rita também apenas foi revistado nesse período. Em entrevista à CNN Portugal, a inspetora da Polícia Judiciária que assumiu posteriormente o processo admitiu que houve erros nas diligências iniciais, reconhecendo que não tinham sido deixados registos escritos suficientes. Apesar disso, considera provável a hipótese de suicídio.

Convicto de que a investigação foi “pouca, má e tardia”, Luís Monteiro avançou com uma ação contra o Estado português. Em 2022, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado a pagar uma indemnização de 26 mil euros, acrescida de 17 mil euros para custos e despesas legais, reconhecendo falhas na investigação.

Rita Slof Monteiro - Desaparecida em Matosinhos
Rita Slof Monteiro

Em declarações públicas, o pai sublinhou que a ação judicial não teve motivação financeira, mas sim a procura de justiça e a intenção de evitar que situações semelhantes se repitam. Afirma possuir provas de que pistas relevantes não foram devidamente seguidas, incluindo a atividade do telemóvel da filha nos dias posteriores ao desaparecimento e as imagens do autocarro.

Luís Monteiro admite que as falhas não terão sido propositadas, mas resultado de desleixo e falta de meios. Ainda assim, duas décadas depois, mantém a esperança de encontrar Rita e de obter respostas para um dos casos de desaparecimento mais marcantes da região.



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