Curso Superior de Varetas

Curso Superior Varetas - Artigo Opinião
Partilhe:

Translate


Miguel Correia

A função pública sempre teve grande influência na escolha da carreira profissional. Tal como o sacerdócio, em tempo de guerra, para escapar ao serviço militar.

É comum dizer que, havendo benefícios, a malta adere. Os jovens que terminam o secundário são confrontados com uma vasta panóplia de cursos e saídas profissionais. Escusado será dizer que, neste país, todos querem ser doutores, desempenhar cargos bem remunerados e, se possível, exercer alguma influência.

Mediante a disponibilidade financeira, alguns conseguem o canudo (mesmo que ninguém perceba muito bem como), outros ficam pelo caminho. Mas surgem sempre novas oportunidades de carreira…

Nestas últimas semanas, devido ao fenómeno baptizado de “comboio de tempestades”, tornou-se habitual ver os membros do governo reunidos.

Os órgãos de comunicação social assentaram arraiais em frente ao edifício para transmitir, em directo, a chegada de ministros e ministras. Chegarem em viaturas topo de gama — daquelas que um cidadão comum leva um enxerto de porrada só por olhar — não me espanta. Dizem que é um direito inerente à função.

O insólito, tendo em conta as condições meteorológicas, era a presença de alguém destacado exclusivamente para segurar o guarda-chuva e escoltar o titular do cargo até à porta. E, ao contrário do que sucede à entrada de um hotel, cada viatura dispunha do seu próprio “abrigador oficial”. Desconheço que universidade ministra tal formação.

Admito que seja trabalho precário. Inútil, não: alguém tem de dar a mão ao ministro — sobretudo quando chove.

Por: Miguel Correia


Os artigos de opinião publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a posição editorial ou a orientação do Portal. O conteúdo expressa apenas a visão pessoal de quem o escreve, sendo assegurada a liberdade de expressão no respeito pelos princípios legais e éticos em vigor.


Partilhe: